Associação de moradores adota cinzeiros de bambu em Caraguatatuba e transforma bitucas recolhidas da praia em papel

Uma iniciativa sustentável adotada na praia e centro comercial do bairro Capricórnio, na região Norte de Caraguatatuba, tem diminuído a quantidade de bitucas de cigarro na areia. A ação,, desenvolvida pela Associação dos Amigos do Capricórnio (Ascapri), introduziu o uso de totens ecológicos com cinzeiros feitos de bambu na entrada da praia, permitindo que os banhistas levem o recipiente para a areia e o devolvam na saída com os detritos coletados.

Assim, o projeto de zeladoria foca no recolhimento e descarte correto de bitucas de cigarro, um dos resíduos mais encontrados na grama e na faixa de areia do município.

O projeto começou com um trabalho de conscientização dos frequentadores do Boulevard, o centro comercial do bairro, onde foram instaladas bituqueiras e placas indicativas. Diante do bom resultado, a associação expandiu a atuação para a orla marítima. De acordo com Eliana Sader, uma das responsáveis pela Ascapri, o processo consiste em monitorar os totens, repor as peças danificadas e recolher o material descartado, que ganha um destino totalmente ecológico através de parcerias locais.

bitucas

A Ascapri reforça que o papel da associação de bairro é canalizar as necessidades da comunidade e estimular pequenos gestos diários que colaborem com a preservação ambiental do Litoral Norte.

 

Siga o canal “Nova Imprensa” no WhatsApp e fique por dentro das notícias do Litoral Norte: https://whatsapp.com/channel/0029Vb3aWJl29759dfBaD40Y

Bitucas viajantes

Todo o material recolhido pela associação é encaminhado para o ecoponto do bairro Martim de Sá. Lá, os resíduos são depositados em um coletor da Poiato Recicla, empresa pioneira que opera a primeira usina de reciclagem de bitucas de cigarro do país, em Votorantim (SP).

Na usina, as bitucas passam por um processo tecnológico desenvolvido em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), que envolve triagem manual, cozimento químico para neutralização de elementos tóxicos como nicotina, chumbo e arsênico. Na sequência, vem o branqueamento da fibra e prensagem. O resultado é a transformação do poluente em massa de celulose limpa, utilizada por cooperativas para a produção de papel artesanal.

Segundo levantamentos da associação, o desconhecimento do público sobre o potencial de reciclagem desse material ainda é grande: todas as pessoas abordadas pessoalmente durante a campanha afirmaram que não sabiam que a bituca de cigarro poderia virar papel.

O descarte incorreto gera graves impactos ambientais, já que o filtro do cigarro é composto por acetato de celulose, um tipo de plástico que pode demorar até 15 anos para se fragmentar na natureza. Na usina, o processo químico reduz esse tempo de degradação para apenas duas horas.

Além do acúmulo de microplásticos, as bitucas representam uma ameaça direta aos ecossistemas aquáticos. Estudos apontam que uma única bituca é capaz de contaminar quimicamente entre 70 e 1.000 litros de água, dependendo das espécies locais, além de ser frequentemente ingerida por aves e animais marinhos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *