Novas mensagens revelam morte por falta de oxigênio em São Sebastião

Médicos afirmam que óbito de empresário, de 63 anos, em dezembro, foi decorrente do problema estrutural

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Coordenador da UTI, Féliz Plastino, está no grupo de mensagens (Foto: Divulgação)
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Novas mensagens entre médicos do hospital de São Sebastião revelam morte por falta de oxigênio na unidade. O material foi anexado, na noite desta terça-feira (23), ao processo judicial sobre irregularidades no fornecimento de oxigênio a pacientes da UTI.

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Para a promotora e os defensores públicos que denunciaram o caso, “as conversas revelam uma tragédia consumada e uma provável tragédia anunciada”.

As mensagens foram trocadas em um grupo de whatsapp, no qual participam médicos que atuam na UTI respiratória. “Como já é sabido pela administração, a rede de oxigênio da UTI e enfermaria não suporta número alto de pacientes. A rede não está dando conta nem dos quatro pacientes intubados”, disse uma médica, antes de comunicar a morte de um dos pacientes.

“Hoje perdemos um paciente por incapacidade da rede de oxigênio. Antes trocávamos por torpedos, porém os torpedos estão sendo abastecidos com o gás da usina do hospital, e pelo que parece esse torpedo também não está suprindo a necessidade. Enfim, hoje com muito pesar perdemos um paciente por esse motivo. Espero que não aconteça novamente. A equipe lutou muito pelo paciente e fomos vencidos por uma falha estrutural que já deveria ter sido corrigida. Peço que priorizem a questão ou perderemos outros”, relatou a médica.

Mensagens

A mensagem é datada de 10 de dezembro e se refere ao óbito do empresário Sidney Grillo, 63 anos, que morava em Caraguatatuba. Outros médicos do grupo lamentaram o ocorrido. “Hoje o plantão foi tenso. Complicado perder um paciente assim, ficamos o plantão todo do lado dele. Mas infelizmente não deu”, comentou um deles. “Foda foi dar a notícia pra família dele. Filho pequeno”, disse outro.

No dia 12 de janeiro, o problema volta a afligir os profissionais. “Rede caiu! Todos os pacientes estão no cilindro e evoluindo mal da parte respiratória. O que fazer? Não tem mais cilindro, só chega amanhã!!!! E agora?”, alerta um médico. “Se morrer vou chamar a família para dizer o quê?”, completa. “Isso é um absurdo! Falta de respeito com a vida humana. Não tem condições de funcionar isso aí”, indigna-se outro.

Nas mensagens, os médicos reclamam do funcionário responsável pela manutenção das usinas de oxigênio. Uma médica de plantão avisa que vai se recusar a receber novos pacientes enquanto o problema não for resolvido. “Os cilindros que temos estão próximos do término e não temos mais oxigênio! Eu não assinarei declaração de óbito por problema estrutural”, disse ela.

Um dos membros do grupo é o médico Félix Plastino (foto), coordenador da UTI. Nas conversas, ele reconhece as limitações do sistema que dispõe o hospital. “Nenhuma usina suporta nosso consumo, a menos que fosse uma usina mais sofisticada”, admitiu Plastino nas mensagens.

Mas no dia 3 de fevereiro, depois de a denúncia vir à tona, o coordenador participou de um dos vídeos que a Prefeitura produziu para enaltecer o sistema. “Essas usinas geram uma quantidade e pressão de oxigênio suficientes para manter a rede hospitalar”, declarou Plastino, no vídeo que foi também publicado na página do prefeito.

No documento apresentado nesta terça à Justiça também foram transcritas conversas de um grupo de fisioterapeutas do hospital, que discutem os problemas recorrentes no fornecimento de oxigênio, desde abril do ano passado.

Para a promotora e os defensores públicos as mensagens não deixam dúvidas da “incapacidade das usinas em fornecer com segurança oxigênio, estando, a qualquer momento, sujeita a diversas intempéries, decorrentes da falta de planejamento, prevenção, regramentos internos, e zelo pela vida humana”.

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