Áudios revelam falta de oxigênio e aflição de médico: “Tá osso, uma loucura”

Diálogos entre responsável pela manutenção do hospital de São Sebastião e médico foram apresentados em denúncia do MP

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Áudios revelam situação crítica na UTI respiratória de SS (Foto: Divulgação)
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Os problemas frequentes no funcionamento das usinas de oxigênio, que abastecem o hospital de São Sebastião, foram destacados na denúncia apresentada pelo Ministério Público e Defensoria Pública, na última sexta-feira (29). Áudios anexados à denúncia revelam conversas entre Wagner Aniceto Souza, chefe de manutenção do hospital e responsável pelo controle diário das usinas, e um médico identificado apenas como Thiago.

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Áudios

Em uma das mensagens, o médico descreve a situação desesperadora. “Tô na UTI respiratória, parou a rede geral. Baixa concentração de oxigênio e baixa rede de ar comprimido. Tô com dez pacientes intubados aqui. Tá osso, tá uma loucura”, alertou ele nos áudios.

Trecho dos áudios apresentados pelo MP (Imagem: MP)

 

Em outro momento, Thiago relata: “Acabei de sair da UTI respiratória. Negócio é loco meu irmão. Aqui tá 12 ventiladores, você não sabe pra onde corre, é uma loucura. Pega torpedo, faz o diabo, é loucura, é loucura”.

O chefe de manutenção responde: “Tomara que não sejam as duas usinas funcionando e pureza baixa. Aí fudeu, entendeu? Ai eu vou falar pra você, eu não sei, porque hoje, neste momento, nós não vamos conseguir resolver”.

No diálogo, Souza contou que um dos equipamentos “desligou sozinho” porque estava com óleo vencido. “Imprevistos acontecem”, disse o chefe.

Preocupado com o problema recorrente e o aumento de pacientes, o médico pede uma reunião para tratar o assunto. “Quando enche de pacientes lá dentro, a qualidade do oxigênio diminui e os ventiladores ficam apitando. A gente precisa sentar para conversar. Ficou uns dois meses com cinco pacientes lá dentro, mas agora nossa média tá aumentando para dez. Os ventiladores estão gritando porque acho que a rede não tá aguentando”, advertiu Thiago.

As datas dos áudios não foram informadas.

A promotora Janine Rodrigues e os defensores, Filovalter Moreira e Camila Tourinho, concluíram que a situação narrada é de “total falta de planejamento, prevenção, regramentos internos, e zelo pela vida humana”. “Fatos que culminaram, por diversas vezes, com o colapso da rede de abastecimento de oxigênio fornecido por estas usinas”, apontaram.

De acordo com eles, as manutenções periódicas são realizadas com intervalos muito grandes de tempo, e falta profissional habilitado para identificar as falhas diariamente. “Os pacientes recebem oxigênio sem qualquer garantia de que a leitura, que está sendo aferida pelo sensor, corresponde aquilo que efetivamente está sendo consumido, o que poderá vir a ocasionar danos gravíssimos”, afirmam os agentes do MP e da Defensoria.

Entre os pedidos ao juiz, está o de intimar o hospital a apresentar a qualificação profissional de Souza e sua habilitação específica para realizar o controle de usinas de oxigênio. Souza foi admitido no cargo em março de 2017, logo no início do governo Felipe Augusto. Ele é irmão do secretário de Serviços Públicos.

A Prefeitura ainda não quis se manifestar sobre a denúncia e os áudios. O juiz Guilherme Kirschner deve tomar uma decisão nesta segunda-feira (1º).

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