A 42ª Festa de Iemanjá de Caraguatatuba, marcada para o dia 5 de dezembro na Praia do Centro, virou um intenso debate público sobre o investimento municipal em manifestações religiosas de matriz africana. O impasse se consolidou após a publicação do Edital de Chamada Pública nº 034/2026, no qual a administração confirmou que, pela primeira vez em anos, não irá ceder nem arcar com o custo das tendas para as casas e terreiros participantes.
Em entrevista exclusiva ao Nova Imprensa, o prefeito Mateus Silva explicou que “em razão do Decreto de Contingenciamento Financeiro nº 2.539/2026, a Prefeitura não pode, neste ano, disponibilizar esse item às casas religiosas”‘, mas “o Município continua apoiando a realização do evento, oferecendo a estrutura e os serviços previstos, sem cobrança de taxa de participação das casas religiosas”.
A decisão provocou forte reação de praticantes e sacerdotes das religiões afro-brasileiras na cidade. O empresário Marcelo Mendonça classificou a retirada do apoio logístico como um ato de discriminação institucional ao comparar a postura do município com a destinação de verbas para outras celebrações religiosas locais.
“Se a atitude é de não dispor de tendas aos terreiros de nossa cidade, com certeza se caracteriza como intolerância religiosa, visto que outros eventos religiosos, como a festa de São Miguel Arcanjo, contaram com recursos e apoio”, afirmou Mendonça. A liderança alerta ainda para os impactos práticos na faixa de areia. “Sem a logística e administração da Prefeitura, teremos uma diminuição da participação de tendas de Caraguá, além da possibilidade de barracas totalmente desorganizadas e esteticamente prejudicadas”.

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Prefeitura nega intolerância e alega contingenciamento orçamentário
Para a reportagem do Nova Imprensa, o prefeito Mateus Silva rebateu as acusações de intolerância e argumentou que o veto ao fornecimento de tendas decorre de restrições financeiras aplicadas a toda a máquina pública.
“A Prefeitura não pode, neste ano, disponibilizar esse item às casas religiosas em razão do Decreto de Contingenciamento Financeiro nº 2.539/2026. O que houve foi uma adequação da estrutura disponibilizada diante das medidas de contingenciamento financeiro vigentes”, respondeu o chefe do Executivo.
O prefeito sustentou que o município manterá o suporte logístico básico de apoio ao evento sem cobrança de taxas. “Apoiamos este evento tradicional, que faz parte do Calendário Oficial. O Município está oferecendo a cessão de 40 espaços gratuitos na faixa de areia (10x10m ou 5x5m), instalação elétrica com um ponto de iluminação, estacionamento para ônibus, divulgação e organização geral. Não houve alteração nas regras, apenas a formalização em edital com dois meses de antecedência”, declarou.
Manutenção de monumento e inscrições para a 42ª edição
Questionado sobre as críticas quanto à falta de zeladoria na imagem de Iemanjá instalada na orla central, o prefeito afirmou que a escultura passou por restauração no final do ano passado e que a Secretaria de Serviços Públicos realiza manutenções periódicas na área.
Apesar da polêmica quanto ao custeio da infraestrutura por parte das próprias comunidades religiosas, a Prefeitura informou que 38 das 40 vagas disponíveis na faixa de areia já foram preenchidas por casas e terreiros interessados. A expectativa da administração municipal é igualar ou superar o público da edição de 2025, estimado em cerca de 10 mil pessoas.

