uma escolha fácil
Coluna de opinião da série foto em foco
Márcio Pannunzio
7 de outubro de 2018.
2 de outubro de 2022.
São essas as datas de duas eleições para presidente que, apesar de tão recentes, fizeram história.
Domingo, dia de 4 outubro é o dia da nova eleição e essa desde já se torna histórica.
Porque muito além de ser uma eleição, será sim um plebiscito. Pesquisas de última hora nos informam que os dois primeiros concorrentes estão praticamente empatados. Significa um eleitorado cindido ao meio entre duas candidaturas visceralmente opostas. Foi assim antes. Em 2018, jornalão centenário estampava o editorial “uma escolha muito difícil” colocando num mesmo patamar biografias de vidas contrárias. Uma, de busca incansável do conhecimento e da doação em compartilhá-lo, da retidão moral e da construção duma carreira política exemplar; outra, de mediocridade existencial e intelectual e de atividade parasitária durante quase três décadas num congresso nacional permissivo.
Em 2022, a essa vida malsã que tantas deixou morrer pateticamente encenando a falta de ar que antecedia o sofrimento final, essa vida que tão pouco construiu e tanto tanto demais destruiu foi confrontada com uma que desde o ocaso da ditadura militar se empenhou na reconquista e na defesa da democracia. E jornalões, semanários, canais televisivos, – a chamada mídia hegemônica -, ainda assim as considerou vidas equivalentes.
Agora, novamente duas vidas incompatíveis são postas em posição de igualdade e o eleitorado chancela essa pregação duma equivalência que a sanidade e a prudência se recusam em reconhecer.
O antipetismo enraizado na sociedade brasileira tem grande responsabilidade por essa situação ter se consolidado. Mensalão e petrolão foram dois escândalos que alvejaram pesado a reputação dum partido que havia nascido admirado pela sua grande participação popular. O massacre foi potencializado pela lava jato. A vaza jato depois nos revelou que aqueles personagens incensados nos noticiários inclementes que muitos cultuaram como heróis, estavam muito longe de terem praticado qualquer heroísmo; muito ao contrário. Pouco adiantou porque o estrago havia sido bem feito. O partido foi estigmatizado fechando-se o olhar para a corrupção endêmica da direita que sempre governou o país. Foi tão desprezado a ponto de ser odiado, mais por suas qualidades do que por seus defeitos. Ao tirar pessoas da pobreza permitindo sua melhora de condição social, melindrou a classe endinheirada. E, surrealmente, mesmo a gente de menos dinheiro sentiu e reverberou essa mesma indignação respaldando a máxima de que que o oprimido abraça a ideologia do opressor.
O momento que veloz se avizinha não é o de uma eleição semelhante a essas duas anteriores.
É muito mais sério; é muito, muito mais grave. Estamos diante não da escolha dum presidente, mas do pais que será o Brasil depois dessa escolha.
Pois mais que uma eleição, no dia 4 e no dia 29 de outubro, caso haja um segundo turno, ao escolhermos um ou outro dos candidatos, vamos escolher o Brasil que habitaremos.
Um Brasil soberano ou um Brasil escravizado. Flávio Bolsonaro explicou que sua fala de que faria do Brasil um país do Nosso Senhor Jesus Cristo era em sentido figurado. Então, isso não aconteceria. Se for ele o escolhido, o Brasil de amanhã poderá ser é o do Nosso Senhor Donald Trump.
Deixando por um instante o antipetismo de lado, uma escolha plebiscitária nada difícil.


