a pergunta fundamental
coluna de opinião da série foto em foco
Márcio Pannunzio
o turismo é impactado com corte severo do orçamento da união?
– Sim, o turismo é severamente impactado.
Nesse nosso presente de descrédito do jornalismo profissional e de primazia da inteligência artificial, é essa a resposta que ela prontamente oferece à pergunta que abre a coluna. Seria despropositado classificá-la como opinião, até porque, máquinas não a têm.
O Brasil poderá surgir outro conforme for o resultado desta crucial e excruciante eleição presidencial. O programa do governo atual, bem como a vivência do que ele fez nesses quatro anos, não nos ameaçam com qualquer “tesouraço” .
Quem nos ameaça com ele, empunhando uma tesourona, na falta dum motosserra, é o oponente .
Para nós que vivemos no Litoral Norte e dependemos do turismo, isso poderá ser catastrófico.
Muita gente já percebeu esse perigo e protesta tomando as ruas e praças daqui em manifestações coloridas, animadas pela percussão eletrizante de tambores e atabaques, onde, apesar da gravidade do momento, existe alguma esperança e alegria.
Nos dias vindouros depois desse amanhã divisor de águas quando será proclamado o resultado da eleição presidencial, essas mesmas ruas e praças poderão voltar a serem tomadas não por essa gente aguerrida e festiva, mas por multidões melancólicas e inconformadas tratadas a cacetada, jato d’água e cadeia como agora ocorre na vizinha Argentina presidida por esse presidente com baixíssima popularidade. Sim, ele mesmo, Javier Milei, que fez show bem juntinho a esse tesourador, tão jeitoso em fazer dancinhas para seus admiradores. Pode bem acontecer que os simpatizantes dessas performances patéticas participem também dessas manifestações tristes, de protesto inútil. Será então tarde demais.
A queda brutal da receita do turismo poderá empobrecer a maior parte das populações do Litoral Norte dele dependentes. Isso provocaria um aumento enorme do desemprego que, aliado ao possível fim dos benefícios sociais e direitos trabalhistas, forçaria famílias falidas a se mudarem, esvaziando as cidades depauperadas pela grave crise econômica como na época em que todo o Vale do Paraíba se arruinou a ponto de figurar como protagonista no “cidades mortas” de Monteiro Lobato, onde “Ali tudo foi, nada é. Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito.” . É certo que especuladores imobiliários poderão festejar atropelando sem escrúpulos todas as leis ambientais e urbanísticas existentes, transfigurando para pior a paisagem natural e a urbana. Praias intocadas poderão ser privatizadas e ocupadas por empreendimentos de luxo e cassinos. Comunidades caiçaras poderão perder seus territórios. Prefeituras tornadas deficitárias poderão cortar a fundo os serviços municipais. Educação, saúde, cultura, esporte, segurança pública: não haverá setor livre do tesouraço que poderá se alastrar pelo país inteiro desgraçando milhões de desprotegidos enquanto enriquece um punhado de milhares de muito ricos.
A hora agora é a de refletir com serenidade, livre de preconceitos antigos e de sentimentos raivosos, para se perguntar diferente. Hora de se perguntar antes de votar:
E o futuro???

