Memória caiçara ganha vida com lançamento de acervo histórico de Dedé em São Sebastião

O patrimônio cultural do Litoral Norte ganha um reforço histórico nesta terça-feira (17/03), com a inauguração do projeto Baú da Dedé. A iniciativa traz a público um acervo inédito reunido ao longo de 50 anos pela pioneira folclorista Iracema França, carinhosamente conhecida como Dona Dedé. Entenda como começou aqui.

O lançamento oficial ocorre na Casa do Patrimônio, em São Sebastião, com uma programação que inclui exibição de minidocumentário e visita guiada.

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dedé

 

A coleção é composta por mais de 5 mil fotografias, além de fitas de áudio e vídeo, manuscritos e livros que registram o cotidiano e a religiosidade regional. Entre os tesouros preservados estão registros de manifestações como a Congada de São Benedito, o Caiapó e a Folia de Reis, além de documentação sobre a pesca artesanal e as tradicionais casas de farinha.

Todo o material foi organizado respeitando a lógica original da pesquisadora, permitindo que o público visualize o folclore sob a perspectiva cuidadosa de Iracema.

Dona Dedé

Dona Dedé, que faleceu em 2009, foi pioneira na valorização da cultura local. Filha de caiçaras, ela rompeu barreiras em sua época ao não apenas observar, mas vivenciar e registrar os costumes de seu povo. Sua trajetória inclui a atuação como primeira secretária de cultura do município e a fundação da primeira  biblioteca da ilha.

O projeto não se limita ao espaço físico. Uma plataforma digital foi desenvolvida com recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição para dezenas de imagens e conteúdos em Libras para a comunidade surda.

No site oficial,(clique aqui) o público pode navegar por 17 galerias temáticas que reúnem desde gravações originais de ritmos antigos até imagens em Super8.

Formada inteiramente por uma equipe feminina, a iniciativa busca democratizar o acesso a documentos que ficaram guardados por 15 anos pela família da folclorista.

Além da consulta digital, o acervo físico completo está sob custódia da Casa do Patrimônio, onde pesquisadores e estudantes podem realizar consultas gratuitas mediante agendamento. Uma exposição presencial sobre o projeto permanecerá aberta ao público até o final de julho de 2026.

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