Projeto de preservação de acervo histórico caiçara pede ajuda

Uma mobilização pela cultura caiçara ganha força em Ilhabela com o objetivo de salvaguardar um dos registros mais importantes da identidade do arquipélago: o acervo de Dona  Dedé.

Pesquisadores e ativistas lançaram um apelo público para arrecadar fundos destinados à restauração e digitalização do acervo de Iracema França, popularmente conhecida como Dona Dedé, uma das maiores folcloristas da região.

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O projeto, batizado de ‘Baú da Dedé’, é liderado pela fotógrafa e editora Maristela Colucci e pela documentarista Juliana Borges, sobrinha-neta da homenageada. A iniciativa visa organizar um vasto material que inclui fotografias, gravações de áudio e vídeo, cartas e anotações que documentam décadas de tradições caiçaras, desde a pesca artesanal e o uso de canoas de voga até manifestações culturais como a Congada e a Folia de Reis.

Dina Dedé, folcloristas, Ilhabela, caiçara

Dona Dedé, que faleceu em 2009, foi pioneira na valorização da cultura local. Filha de caiçaras, ela rompeu barreiras em sua época ao não apenas observar, mas vivenciar e registrar os costumes de seu povo. Sua trajetória inclui a atuação como primeira secretária de cultura do município e a fundação da primeira biblioteca da ilha.

Desafios de preservação

caiçara

A urgência do projeto se dá em um contexto de rápida transformação urbana de Ilhabela. Especialistas apontam que o crescimento do turismo e a especulação imobiliária têm pressionado as comunidades tradicionais, tornando o registro histórico uma ferramenta vital para a manutenção da identidade local.

As organizadoras destacam que, embora tenham conseguido verbas iniciais via edital, os recursos foram insuficientes para concluir as etapas finais de catalogação e a criação de um portal virtual para acesso público.

Atualmente, todo o material físico foi transferido para a Casa do Patrimônio Histórico de São Sebastião, onde se encontra em ambiente climatizado e sob cuidados técnicos, devido à falta de infraestrutura adequada na cidade de origem.

O cenário também é marcado por tensionamentos com a gestão pública local. Críticos da atual administração apontam um descaso com símbolos históricos, citando como exemplo a recente remoção de uma canoa centenária da praça central da cidade, substituída por um chafariz, o que gerou descontentamento entre defensores da memória caiçara.

Como apoiar

Organizadoras do acervo caiçara de Dona Dedé
Organizadoras do acervo de Dona Dedé

Para garantir que o legado de Dona Dedé não se perca e possa ser acessado por futuras gerações, o grupo abriu canais para doações de pessoas físicas e empresas. O objetivo é viabilizar o site que democratizará o acesso a esse capítulo da história brasileira.

Os interessados em conhecer mais detalhes sobre a iniciativa ou contribuir financeiramente podem acessar o site oficial aqui  ou entrar em contato diretamente com a organização através do e-mail julianabor@gmail.com.

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