Dia Mundial do Meio Ambiente: O fascínio pelo mar de Ilhabela

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Mergulho no mar de ilhabela
A bióloga Cláudia Santana Ferreira mergulha no mar de Ilhabela

O fascínio pelo mar de Ilhabela, seja mergulhando, seja contemplando, é a motivação da bióloga marinha, empresária e mergulhadora, Claudia Santana Ferreira, de 35 anos. E foi justamente o oceano que ela escolheu para homenagear nesta série de reportagens sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente.

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“Claro que todo mundo gostaria de morar na praia, imagina morar em Ilhabela que é um paraíso? Tem praias maravilhosas, lindas cachoeiras, muita diversão, lugares lindos para apreciar a beleza da natureza, o pôr do sol, apreciar excelente gastronomia e muitos outros atributos! Mas o que me toca de jeito diferente aqui é o mar! Gosto do mar desde sempre, sou mergulhadora e graduada como bióloga marinha, então claro que em uma ilha me sinto super em casa!”, diz.  “Aqui estamos rodeados pelo mar de todos os lados, não tem como entrar ou sair daqui sem passar por ele, e isso é incrível.”

Mergulhando em Ilhabela (Foto: Arquivo pessoal)
Mergulhando em Ilhabela (Foto: Arquivo pessoal)

Por Ilhabela ser uma ilha oceânica, tem as condições perfeitas para várias espécies viverem, reproduzirem ou usarem a área para diferentes funções, alimentação, migração e outras, explica a bióloga. “Essa geografia da ilha nos possibilita realizar mergulhos e encontros com animais incríveis”.

“Ilhabela na época dos piratas era conhecida como Triângulo das Bermudas brasileiro, posto que muitos navios se desorientavam na região e acabaram afundando por aqui, o que resultou em um número grande de naufrágios, e pra mim isso traz um certo mistério pro mar de Ilhabela e mergulhos bem peculiares nesses locais”.

Ela conta ainda que por toda a ilha, existem pontos de mergulhos incríveis, “sempre terá algo legal pra ver. E isso me deixa muito feliz, ao passo que, enquanto eu estiver aqui, sempre terei novos lugares para mergulhar e explorar a biodiversidade. Ainda tem muito a ser descoberto por aqui”.

Maravilhas do mar de Ilhabela

Espécie de anêmona que existe apenas em Ilhabela (Foto: Jodir Pereira da Silva - Fb.com/ecopere)
Espécie de anêmona que existe apenas na Ilha das Cabras (Foto: Jodir Pereira da Silva – Fb.com/ecopere)

A mergulhadora cita, por exemplo, que na Ilha das Cabras existe uma espécie de anêmona, que nunca foi descrita no Brasil e só pode ser encontrada naquela ilha.

“Em nenhum outro local do mundo ela será encontrada, agora imagina quantas outras espécies de animais que também só existem aqui? Isso é muito especial!”.

Outro caso bem especial aconteceu no mar da ilha em 2019. “Avistamos uma baleia Jubarte com um filhote muito pequeno, que podemos afirmar que nasceu aqui na região e isso nunca havia sido registrado antes”. (leia aqui)

Baleia jubarte e sua filhote Jubinha (Foto: Marcio Motta/Instituto Verde Azul)
Baleia jubarte e sua filhote Jubinha (Foto: Marcio Motta/Instituto Verde Azul)

Houve ainda ocorrência de tubarão baleia, peixe lua, raias mantas e outros animais, segundo Cláudia.

Consciência ambiental

Neste Dia Internacional do Meio Ambiente, Cláudia lembra de diversos presentes observados na natureza, mas ressalta a importância de manter a preservação.  “Essas coisas incríveis só nos mostram o quanto o nosso mar é rico e que devemos cuidar bem dele”.

Estar no mar, mergulhando de cilindro ou de snorkling é como estar em casa, estar no melhor lugar do mundo, confessa a bióloga. “Naquele silêncio de vozes, mas no meio daquele barulho todo de sons variados e indefinidos, me sinto em paz e tranquila, com vontade de quando sair dali me tornar uma pessoa melhor”.

“Tantas coisas boas que o mar nos provê, que é o nosso dever cuidar dele. Dele tiramos nosso lazer, nossa paz e para muitos o sustento, seja do recurso direto que o mar fornece, como o pescado, ou recurso indireto como o turismo. E devolvemos o que para o mar? Nosso lixo e nosso esgoto!”.

A situação de sanemaento básico em Ilhabela configura entre os 13 piores do Estado de São Paulo. Mesmo o esgoto coletado e tratado de forma “correta” é jogado de volta ao mar através dos emissários submarinos.

“Os resíduos de protetor solar, repelente, hidratante ou qualquer outro cosméticos que usamos fica no mar para sufocar os organismos a cada mergulho refrescante que damos. Aquela pescaria ali na costeira sempre sobra algum petrecho de pesca pra trás. Aquele lixinho jogado na rua também pode parar no mar. Infelizmente são muitos os impactos que cometemos, mesmo não intencionalmente”, explica.

A bióloga conclui: “é triste saber que tudo que tiramos de bom do mar estamos devolvendo de forma ruim pra ele! Precisamos rever nossos conceitos, mudar nossas atitudes e cobrar políticas públicas viáveis de fato para todos e principalmente para a natureza!”.

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