Futsal feminino desabafa após corte de Jogos Regionais: “Sentimento de desvalorização”

A equipe de futsal feminino de Caraguatatuba se manifestou após a Secretaria de Esportes e Recreação emitir uma nota oficial cancelando a ida da delegação aos 68º Jogos Regionais por contenção de despesas (leia aqui). Em entrevista exclusiva ao Nova Imprensa,  a equipe relatou que a notícia foi um choque.

O anúncio oficial do corte, feito no dia 18 de junho, chegou para a comissão técnica via WhatsApp quando o assunto já estava sendo amplamente divulgado na imprensa local. “É frustrante, uma sensação de impotência e desvalorização enquanto atleta”, desabafa a equipe.

A indignação do elenco é potencializada pelo fato de o cancelamento ter ocorrido após as inscrições já estarem consolidadas. Como o cadastro foi efetuado por Caraguatatuba, a maioria das jogadoras ficou com o vínculo preso ao município, o que impede a transferência e inviabiliza que defendam individualmente outras camisas na competição.

As jovens relatam que o caso interrompe uma sequência de resultados expressivos. O time ficou em terceiro lugar nos Regionais de 2023 e foi vice-campeonato em 2024, uma campanha histórica que alcançou as quartas de final nos Jogos Abertos do interior do estado.

futsal

Siga o canal “Nova Imprensa” no WhatsApp e fique por dentro das notícias do Litoral Norte: https://whatsapp.com/channel/0029Vb3aWJl29759dfBaD40Y

Futsal desfalcado

Para os membros do time, houve uma clara falta de planejamento e de diálogo por parte da administração municipal. Elas apontam que o cenário de crise já vinha dando sinais, já que no campeonato joseense de futsal, que disputam aos domingos, a prefeitura cortou o fornecimento de alimentação nas rodadas finais da fase classificatória. As atletas tiveram que levar lanches por conta própria.

Segundo as jogadoras, a  gestão municipal não havia sinalizado a possibilidade de cortar os Jogos Regionais, deixando para emitir o decreto às vésperas do congresso técnico do torneio. “Interromper esse ciclo de competição em alto nível prejudica a preparação e enfraquece o grupo, que muitas vezes aguarda o ano todo para isso, destacou a equipe.

Elas contam que jogam sem qualquer tipo de remuneração ou salário. A rotina dos treinos é movida pelo amor e esforço individual: duas vezes por semana à noite, jogos aos domingos, fortalecimento por fora e gastos pessoais com combustível, alimentação e medicamentos, em caso de lesão.

Muitas das atletas trabalham em escala e chegaram a pedir férias no emprego ou acumularam horas extras para garantir a liberação em julho. “Ser atleta de alto rendimento é para poucos, temos que gostar muito para não desistir!”, explicam. “Todas nós nos desdobramos para dar conta do trabalho, afazeres de casa, estudos e família. Abdicamos de eventos, festas e momentos de lazer para competir. Além disso, ainda temos despesas”, destacam.

Diante do sonho adiado na cidade natal, o grupo agora realiza uma corrida contra o tempo para tentar fechar uma parceria coletiva com a delegação de outro município antes do fechamento dos prazos do campeonato.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *