A equipe de futsal feminino de Caraguatatuba se manifestou após a Secretaria de Esportes e Recreação emitir uma nota oficial cancelando a ida da delegação aos 68º Jogos Regionais por contenção de despesas (leia aqui). Em entrevista exclusiva ao Nova Imprensa, a equipe relatou que a notícia foi um choque.
O anúncio oficial do corte, feito no dia 18 de junho, chegou para a comissão técnica via WhatsApp quando o assunto já estava sendo amplamente divulgado na imprensa local. “É frustrante, uma sensação de impotência e desvalorização enquanto atleta”, desabafa a equipe.
A indignação do elenco é potencializada pelo fato de o cancelamento ter ocorrido após as inscrições já estarem consolidadas. Como o cadastro foi efetuado por Caraguatatuba, a maioria das jogadoras ficou com o vínculo preso ao município, o que impede a transferência e inviabiliza que defendam individualmente outras camisas na competição.
As jovens relatam que o caso interrompe uma sequência de resultados expressivos. O time ficou em terceiro lugar nos Regionais de 2023 e foi vice-campeonato em 2024, uma campanha histórica que alcançou as quartas de final nos Jogos Abertos do interior do estado.

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Futsal desfalcado
Para os membros do time, houve uma clara falta de planejamento e de diálogo por parte da administração municipal. Elas apontam que o cenário de crise já vinha dando sinais, já que no campeonato joseense de futsal, que disputam aos domingos, a prefeitura cortou o fornecimento de alimentação nas rodadas finais da fase classificatória. As atletas tiveram que levar lanches por conta própria.
Segundo as jogadoras, a gestão municipal não havia sinalizado a possibilidade de cortar os Jogos Regionais, deixando para emitir o decreto às vésperas do congresso técnico do torneio. “Interromper esse ciclo de competição em alto nível prejudica a preparação e enfraquece o grupo, que muitas vezes aguarda o ano todo para isso, destacou a equipe.
Elas contam que jogam sem qualquer tipo de remuneração ou salário. A rotina dos treinos é movida pelo amor e esforço individual: duas vezes por semana à noite, jogos aos domingos, fortalecimento por fora e gastos pessoais com combustível, alimentação e medicamentos, em caso de lesão.
Muitas das atletas trabalham em escala e chegaram a pedir férias no emprego ou acumularam horas extras para garantir a liberação em julho. “Ser atleta de alto rendimento é para poucos, temos que gostar muito para não desistir!”, explicam. “Todas nós nos desdobramos para dar conta do trabalho, afazeres de casa, estudos e família. Abdicamos de eventos, festas e momentos de lazer para competir. Além disso, ainda temos despesas”, destacam.
Diante do sonho adiado na cidade natal, o grupo agora realiza uma corrida contra o tempo para tentar fechar uma parceria coletiva com a delegação de outro município antes do fechamento dos prazos do campeonato.

