A eleição de 2026 colocou Felipe Augusto (PSDB) diante de um dado político difícil de ignorar: mesmo continuando fortemente dependente de São Sebastião, município que governou por oito anos, o ex-prefeito registrou sua menor votação pessoal na cidade desde 2012.
Felipe recebeu 14.994 votos em todo o Estado de São Paulo. Desse total, 9.534 vieram de São Sebastião, o equivalente a cerca de 63,6% de toda a sua votação.
🔥 Mais de uma notícia por dia. Informação confiável, rápida e direto no seu celular.
📲 Siga o canal do Nova Imprensa no WhatsApp e fique por dentro de tudo o que acontece no Litoral Norte.
https://whatsapp.com/channel/0029Vb3aWJl29759dfBaD40Y
O número mostra que, apesar de disputar uma eleição estadualizada para deputado federal, sua força eleitoral permaneceu concentrada no município onde construiu sua trajetória política. Ao mesmo tempo, revela uma retração expressiva dentro de sua principal base.
Em 2012, Felipe recebeu 11.993 votos em São Sebastião. Em 2016, foram 19.924. Em 2020, chegou a 23.501. Agora, em 2026, somou 9.534 votos na cidade.
A comparação precisa ser feita com cautela porque as três eleições anteriores eram municipais, para prefeito, enquanto a atual foi para deputado federal. Ainda assim, a série ajuda a dimensionar a perda de densidade eleitoral de Felipe dentro do território onde sempre teve maior reconhecimento.
Em relação a 2020, foram 13.967 votos a menos, uma redução de aproximadamente 59,4%.
O resultado ganha ainda mais peso quando colocado no contexto político e jurídico que acompanhou o ex-prefeito nos últimos anos.

Felipe chegou à eleição sob questionamentos em diferentes frentes. Em 2022, ainda no exercício do cargo de prefeito, sua então companheira registrou ocorrência por violência doméstica, e a Justiça concedeu medida protetiva. Ele negou as acusações.
Outro inquérito, também relacionado a violência doméstica, resultou em 2025 no cumprimento de busca em sua residência. Durante a operação, foram encontradas armas regulares e milhares de munições. Segundo a investigação, a fabricante CBC identificou 2.187 unidades pertencentes a lotes vendidos à Prefeitura de São Sebastião.
O caso avançou na Justiça e, em julho de 2026, o Tribunal de Justiça recebeu a denúncia relacionada ao suposto desvio das munições da Guarda Municipal. A partir daí, Felipe passou à condição de réu. A defesa nega irregularidades e afirma confiar na improcedência da ação. Não há condenação.
Na esfera administrativa, o desgaste também chegou à Câmara Municipal. As contas de 2022 foram rejeitadas por 12 votos a zero, seguindo parecer prévio desfavorável do Tribunal de Contas do Estado.
A decisão teve reflexos na Justiça Eleitoral. Felipe conseguiu o deferimento da candidatura, mas disputou a eleição com recurso pendente. Nos registros eleitorais, sua situação aparecia como “deferido com recurso”.
Nada disso, isoladamente, permite afirmar qual fator determinou a redução de votos. Eleições envolvem contexto, tipo de disputa, número de candidatos, estrutura partidária, alianças e comportamento do eleitorado.
Mas o resultado de 2026 produz dois dados objetivos.
O primeiro é que Felipe continua eleitoralmente dependente de São Sebastião. Quase dois em cada três votos recebidos por ele no Estado vieram da cidade.
O segundo é que, justamente nessa base, sua votação caiu ao menor patamar de sua trajetória recente.
A candidatura não conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados e terminou deixando uma nova medida para o peso político de Felipe no município.
Depois de oito anos à frente da Prefeitura e de três eleições municipais com votação crescente, 2026 marca uma inflexão. O ex-prefeito segue tendo em São Sebastião seu principal reduto eleitoral, mas já não demonstra, em números, a mesma capacidade de mobilização que apresentou nas disputas anteriores.
O resultado não encerra sua trajetória política, mas altera o parâmetro pelo qual sua força local passa a ser medida.

