Recém-chegado de Paris, caraguatatubense se coloca em isolamento

Ele conta o alívio de voltar depois de ter vôo cancelado e passar 12 horas no aeroporto Charles de Gaulle

0
3723
O casal chegou em Caraguá no dia 18 de março (Fotos: Arquivo Pessoal)

Recém-chegado de Paris, Reges Belo Gama, de 35 anos, gerente de supermercado no Jardim Capricórnio, em Caraguatatuba, decidiu se colocar em isolamento mesmo sem apresentar os sintomas do coronavírus (Covid-19).

- Publicidade -

“Chegamos em Caraguá dia 18 de março e imediatamente entramos em quarentena. Não estamos saindo de casa para absolutamente nada! Estamos pedindo nossas compras por telefone. Não temos contato algum com o funcionário que faz a entrega, ele deixa a compra na calçada e vai embora antes que eu abra a porta. Ficaremos assim por, pelo menos, 15 dias”, informou ele.

Reges e sua namorada foram à Paris no dia 11 de março e o voo fez escala em Madri, sem intercorrências.“A quarentena em Paris começou no dia 16 e foi quando começamos a ficar bem preocupados de não conseguirmos voltar”.

Neste mesmo dia, o governo francês ordenou que as pessoas só saíssem às ruas para fazer o básico e até meio-dia. “Só podia ir ao supermercado, farmácias, padarias e tabacarias. Pouquíssimas lanchonetes funcionavam e as que estavam abertas só vendiam para comer em casa ou entregar. No dia 17 chegamos a ser abordados por um policial que nos pediu para irmos embora. Era 13h30 mais ou menos”, conta o gerente.

O susto maior para o casal aconteceu à noite, 24 horas antes de embarcarem de volta ao país: “A Iberia [companhia aérea] cancelou nosso voo! Entramos em contato com a Decolar, que foi quem nos vendeu o pacote, para tentar remarcar a passagem e não tivemos sucesso. Decidimos então ir ao aeroporto pela manhã, que seria o dia de nossa volta, e compramos duas passagens pela Airfrance, em um vôo direto para o Rio de Janeiro”, conta.

O embarque aconteceu 23h20, mas só decolou quase meia-noite. A maioria dos funcionários do aeroporto e das lojas estava de máscara e luvas, segundo Reges.

Ele conta ainda que não passaram por nenhum tipo de teste ou medição de temperatura em nenhum momento. Vale lembrar que neste dia (18), a  França informava mais de 900 novos contágios e 36 mortes, elevando o total a 5.400 infectados e 127 óbitos.

Além do risco em permanecer tanto tempo no aeroporto, o casal pagou um valor muito alto pelas passagens devido a urgência. “A Decolar disse que ia resolver nossa situação em até 24 horas, então resolvemos dormir. Mas eu quase não dormi naquela noite e quarta cedo fomos ao aeroporto”. Eles pretendem entrar com uma ação contra a empresa, para reaver o valor das passagens.

O craguatubense diz que só se falava em coronavirus na televisão francesa e que se não houvesse comprado as passagens, teriam ficado sem hotel, já que as reservas venciam na quarta às 11h de Paris.

Eles estavam de máscaras, mas não sabiam se deveriam usa-las. “As informações sobre usar máscaras ou não ainda são confusas, não usamos o tempo todo. Uma hora a gente ouve que tem que usar, outra ouvimos que só quem está doente deve usar.”, desabafa.

Ele foi informado que o avião havia sido higienizado, mas que mesmo assim evitavam tocar em lugares do avião e sempre lavavam as mãos. “Levamos álcool em gel e lenços umedecidos na viagem”.

No desembarque, no Rio de Janeiro, dia 19 de março, também não foram examinados. “Sentimos olhares de repulsa por parte dos funcionários, até que tinham razão”, brincou. “Mas nenhuma verificação de saúde foi feita”.

O casal não apresenta sintomas de contaminação, mas por conta própria preferiram ficar em isolamento por 15 dias até fazerem o exame, se for necessário.  A preocupação deles é que não haja contágio de mais ninguém.

Eles não conseguiram visitar o Museu do Louvre, que fechou por determinação do governo, mas voltaram para casa com o coração grato, mesmo sem saber quando poderão voltar para a França. “Tivemos que gastar demais”.

“Foram muitas as vezes que tivemos sensações ótimas nesta viagem. A primeira, depois que cancelaram nosso voo, quando conseguimos comprar outras passagens. A segunda, quando passamos pela alfândega. A terceira e umas das melhores, foi quando entramos no avião e quando pousamos! E, por fim, quando chegamos em casa. Acho que a palavra que melhor define é alívio. Em todas as vezes tivemos um alívio muito grande”, conclui.

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, informe seu nome aqui