Três vereadores de Ubatuba foram afastados de suas funções por suspeita de fazerem “rachadinha” e estarem envolvidos em outros crimes, como homicídio e cárcere privado, para manter o esquema ativo. A decisão judicial foi obtida nesta terça-feira (29) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Eugênio Zwibelberg (Avante), Josué D’menor (Podemos) e Júnior Jr (Podemos) também foram proibidos de frequentar a Câmara enquanto durar a suspensão de seus mandatos eletivos.
Segundo o Ministério Público, Josué teria mantido uma testemunha em cárcere privado após ela não repassar parte do salário ao vereador e ameaçar denunciar o esquema. Já Júnior Jr. é citado com um dos investigados na morte de um motorista de aplicativo que denunciou os crimes em agosto de 2023. A vítima, de 44 anos, foi encontrada morta, com sinais de espancamento, amordaçada e com as mãos amarradas. A investigação desse caso está sob sigilo.
Além dos três, há denúncias contra outras dez pessoas, incluindo parentes dos parlamentares, pela prática de diversos crimes. A ordem judicial determina ainda o afastamento de nove servidores. Eles e os vereadores estão proibidos de manter contato com qualquer pessoa relacionada ao processo.
Rachadinha
O esquema de “rachadinha” é caracterizado pela exigência do repasse a políticos de parte dos salários de ocupantes de cargos comissionados. A denúncia aponta que até mesmo o responsável pelo contrato de manutenção dos computadores da Câmara de Ubatuba repassava a um dos vereadores o valor de R$ 3 mil mensais.
De acordo com o MP, os três suspeitos indicavam pessoas para a prefeitura e exigiam que elas repassassem parte do salário a eles em troca de serem mantidos nos cargos. Cada um dos vereadores exigia diferentes valores. O montante total recebido por eles não foi revelado.