Sociedade se mobiliza contra exercícios de tiro da Marinha em Alcatrazes

Moradores do Litoral Norte e ambientalistas se uniram em protestos contra o exercício de tiros da Marinha do Brasil, marcado para os dias 16 e 17 de agosto no arquipélago de Alcatrazes, em São Sebastião. O local é considerado um berçário de aves e peixes e o maior ninhal de fragatas do cone sul-americano.

O grupo criou um abaixo-assinado que já conta com quase 6 mil assinaturas. Lives e encontros estão sendo programados para discutir o tema, com apoio de associações ambientalistas da região. Também está sendo agendada a data para uma grande manifestação contra o bombardeiro em São Sebastião, organizada por lideranças caiçaras e ambientalistas.

“A decisão de bombardear a ilha do arquipélago de Alcatrazes atinge o coração de todos nós que moramos aqui no Litoral Norte. Para o povo litorâneo, o local representa um santuário da vida marinha. Para a Marinha do Brasil representa nada mais que um alvo”, afirmou Fernando Puga, que trabalha há 25 anos na luta pelo meio ambiente do Litoral Norte.

Marinha em Alcatrazes

Em 2008, o ICMBio, responsável pela proteção do arquipélago, fechou um acordo com a Marinha para reduzir os impactos ambientais dos exercícios de tiro. Em 2013, as atividades foram transferidas para a Ilha Sapata, área externa ao Refúgio de Alcatrazes, para diminuir os impactos. Também foram estabelecidas regras para as atividades, como época que não exista reprodução dos animais, comunicação prévia, dentre outras medidas de controle ambiental e segurança, como o acompanhamento de integrantes do Ibama e do ICMBio durante todos os treinamentos militares.

O problema é que este ano, a data do exercício coincide com o período reprodutivo das aves e peixes e de migração de baleias. Mesmo sendo realizado na Ilha Sapata, a execução causaria impactos significativos à fauna silvestre, principal objeto de conservação do Refúgio.

Um levantamento do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, aponta que perturbações no ninhal em época reprodutiva podem causar até 75% de perda de filhotes e ovos das fragatas, por causa do comportamento de sabotagem dos machos não pareados quando os ninhos ficam desprotegidos, após uma revoada brusca dos pais. Impactos em outros grupos da fauna estão sendo estudados.

O presidente do ICMBio oficiou a Marinha do Brasil no dia 5 de agosto sobre impossibilidade de realização do exercício pretendido nesse época, mas ainda não teve resposta.

alcatrazes
Ilha da Sapata está localizada no Arquipélago de Alcatrazes

“Sabemos do descaso da Marinha do Brasil com a fauna marinha brasileira. Porém, a insistência estarrece aos que se dedicam à preservação ambiental, não só no Litoral Norte paulista, como em todo o território brasileiro”, justifica o abaixo-assinado.

Para o Instituto Educa Brasil, os exercícios de tiro no arquipélago representam um retrocesso histórico e fazem ressurgir um movimento de repulsa de toda a sociedade, indignada com a prática de treinamento bélico que, se de um lado aniquila ambientes extremamente vulneráveis e raros, de outro não satisfaz aos interesses da soberania nacional, razão de ser da atividade.

Ofício protocolado na Câmara dos Deputados

O deputado Federal Nilto Tatto protocolou, nesta segunda-feira (8), na Câmara dos Deputados, ofício endereçado ao Ministério da Defesa, colocando-se contrário à realização de exercícios militares no Arquipélago de Alcatrazes.

 

5 Replies to “Sociedade se mobiliza contra exercícios de tiro da Marinha em Alcatrazes”

  1. Que nojo de certo chefe de Estado que atua como se estivesse orientado sua família.
    Quanta transgressão!
    Agora reativar essa barbaridade em um santuário da natureza ” excercícios de tiros pela marinha ” em Alcatrazes, como faz falta uma preparação para tal…

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