foto em foco: o paraíso do negacionismo

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foto em foco:

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paraíso do negacionismo

Márcio Pannunzio

coluna de opinião foto em foco

Já na primeira semana de novembro, evento esportivo de travessia a nado do canal de São Sebastião, juntou centenas de pessoas na praia do Engenho d’Água, bastante próximas umas das outras, sem usarem máscara de proteção facial.

Poucas semanas depois, no dia 20, Ilhabela largou na dianteira das cidades paulistas liberando oficialmente a obrigatoriedade do uso de máscara em lugares abertos. Manteve o dever do seu uso em caso de aglomeração de pessoas, mas isso segue sendo desobedecido conforme atestou o comportamento de outros esportistas, seus familiares e amigos em outro campeonato recente, desta vez, de corrida de longa distância.

O decreto municipal, apesar dessa liberação que não vem sendo adotada em outras cidades preocupadas com a variante ômicron do coronavírus e de ignorar o decreto estadual, instituiu o passaporte da vacinação. Comércios, repartições públicas, eventos esportivos e cerimônias de casamento ficaram obrigados a exigir dos seus frequentadores a apresentação do comprovante de vacinação contra a covid. Todavia, como não foi determinada qualquer penalidade ao descumprimento da medida, o que se percebe é que nenhum dono ou funcionário de hotel, pousada, comércio ou de repartição pública, exige a apresentação desse comprovante e assim, as pessoas circulam sem restrição de acesso. Essa situação anômala torna o passaporte da vacina ilhabelense, lei pra inglês ver.

Por isso, causa espanto que a Câmara Municipal de Ilhabela tenha se ocupado de elaborar um projeto de lei visando derrubar a sua exigência no momento em que tantos munícipes se revoltam e berram nas redes sociais a cobrando da tarefa de fiscalizar e exigir boa zeladoria da cidade. Fervilham fotos e vídeos irados mostrando mato e lixo espalhados e incontáveis calçadas, ruas, ciclovias, praças, parques, estádios, escolas, em mau estado de conservação.

mato alto invade calçada da principal avenida de Ilhabela, a Princesa Isabel – foto: Márcio Pannunzio

obra de revitalização milionária assassina o urbanismo suprimindo as calçadas e plantando postes no meio da rua

Parece que os vereadores, que aprovaram por maioria esmagadora o PL 82/2021 não acompanham o alarido dos internautas ilhabelenses; mas muito pior, neste caso específico, é o de não acompanharem o noticiário. Pois se o acompanhassem, saberiam que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, restabeleceu no dia 15 de outubro a exigência do passaporte da vacinação em Macaé, RJ, decretado pelo prefeito e derrubado por uma desembargadora. Essa decisão criou uma jurisprudência sinalizando que a intenção da câmara da ilha não se sustenta.

É uma pena que essa atuação arrebatada da vereança, pródiga em ações meritórias como as de criar o dia do círculo de oração, o dia da bíblia, o dia do laço branco, a semana de música de Ilhabela; de reconhecer como atividades essenciais as igrejas, templos religiosos e comunidades missionárias; de distribuir generosamente moções de louvor, certificados de reconhecimento público, títulos de educador exemplar, títulos de cidadão honorário e de gratidão caiçara, tenha passado praticamente ignorada pela população.

Quem, porém, teve tempo e atenção para melhor se informar, estranhou que a propositura obrigasse médicos da rede de saúde municipal a imediatamente notificarem a secretaria de saúde de todos os casos em que ocorrerem reação à primeira dose da vacina.
A literatura médica afiança que os testes clínicos feitos nas vacinas mostraram que elas são seguras e aí, novamente parece que os vereadores não leram nada disso. E tampouco atentaram para o acontecimento de que mais de trinta e dois mil ilhabelenses receberam essa dose inicial sem registro de complicação; mais de trinta mil estão na segunda e mais de três mil e quinhentos, na terceira. Essa, sem dúvida, uma vitória a ser comemorada entusiasticamente com farta e merecida distribuição de menções de louvor para os profissionais da saúde de Ilhabela.

O angu encaroça de vez quando lemos a declaração da autora do projeto de lei: “e não podemos deixar de ressaltar que não existe exigência em nenhum órgão do país ou lei brasileira que obrigue a pessoa a se vacinar ou participar de algum tipo de experimento”.

Colocar na mesma frase vacina e experimento é duma crueldade absurda. Desmerecer o gigantesco esforço planetário envolvendo milhares de cientistas e governantes, grande parte da indústria farmacêutica para em tempo recorde descobrirem, testarem, produzirem, distribuírem e aplicarem as vacinas, é uma atitude infeliz que seria prontamente rotulada com o xingamento de negacionista.

A única verdade dessa declaração é que não existe lei brasileira que obrigue as pessoas a se vacinarem.
Ninguém é obrigado a se vacinar; isso é fato incontestável.

Ninguém é obrigado a não fumar; mas se fumar no transporte coletivo, num avião ou na praça de alimentação do shopping, será advertido e se insistir na ação, será retirado do local. Ninguém está proibido de usar facas, mas se as usar para esfaquear os demais, será preso. Ninguém está proibido de pilotar moto, mas se o fizer sem estar habilitado e sem usar capacete, será multado e terá a moto apreendida. Ninguém é proibido de se embriagar; mas se assumir o volante dum carro embriagado, será penalizado porque, é óbvio, essa ação tem potencial de causar acidente lesivo aos outros. Então, é isso. Ninguém precisa se vacinar mas se tomar essa decisão, sofrerá sansões para evitar colocar a saúde e a vida dos outros em perigo. Nesse sentido, sobrou que ao menos a fala do prefeito ao criar o decreto do passaporte da vacinação foi esclarecedora e irrefutável: “o cidadão tem o direito de não tomar a vacina, mas não pode colocar em risco outras pessoas”.

A seguir com esse ardor revisionista, que não é o de assegurar um melhor cuidado sanitário durante a pandemia, talvez pudesse a egrégia casa de leis municipal, ao preocupar-se em estimular o turismo ilhéu, pensando num jeito eficaz de atrair essa gente muita que elegeu as trevas e não poderá mais comemorar desajuizadamente, cuspindo uns nos outros libertos da barreira das máscaras faciais, o fim de ano nas praias cariocas ou na avenida Paulista ou até mesmo nas cidadezinhas do sul de Minas, sugerir ao pessoal da publicidade institucional insular criar novo slogan: Ilhabela, o paraíso dos terraplanistas. Nessa terra tão pouca apartada do continente, essa turba certamente se regalaria com o brilhantismo do foguetório do seu reveillon paradisíaco.

máscaras descartadas fotos: Márcio Pannunzio

vidas humanas valem, independente do grupo étnico e suas especificidades

Essa frase expressa um juízo honesto, mas ao grupo étnico, outros diferentes grupos poderiam ser adicionados a tornando mais abrangente. O socioeconômico e nele, destaque para sua preponderante fração dos pobres, que só faz crescer nesses desatinados anos de desmantelamento da democracia, da economia e dos valores iluministas a duro custo parcialmente internalizados na sociedade brasileira. O grupo religioso, englobando todos os credos, crenças, religiões. O dos indígenas; o dos quilombolas; o das comunidades tradicionais e nelas se inclui a caiçara, tão desrespeitada e desprestigiada nessas plagas e para tanto, à guisa de exemplo, basta recordar o público enorme do Ilhabela 3.8K e o público praticamente nenhum da corrida de canoa caiçara seu Américo, cuja largada aconteceu na mesma praia. O dos criminosos, muitos deles mortos, assassinados, chacinados corriqueiramente e impunemente por uma polícia a soldo dum estado impiedoso e higienista que à revelia da constituição brasileira, consagrou a pena de morte.

a corrida de canoa caiçara que a praia lotada do Ilhabela 3.8K não viu fotos: Márcio Pannunzio

Essa constituição, de 1988, assegura o direito à vida para todos os brasileiros sem exceção. E planejando o futuro, foi além:

I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

 vidas humanas valem, independente do grupo étnico e suas especificidades

 Essa frase forte foi afixada num comércio local e causou grande ruído porque na época se comemorava o dia da consciência negra.

Que é um dia de festa, ainda que melancólica quando é lembrado o sofrimento inominável da população negra no Brasil ao longo duma história repugnante de escravidão, perseguição, estupro, tortura, assassinato, exploração, segregação, humilhação.

no jardim dos enjeitados – Márcio Pannunzio

Por isso, embora vidas humanas todas idealmente devessem igualmente valer, é fato que as vidas pretas valem pouco demais nesse nosso país tão abjetamente desigual e preconceituoso e é um dever de todos demolir a estrutura racista que tem alicerçado a sociedade brasileira para que ela possa ser, o mais rápido possível, sadia, verdadeiramente justa e igualitária como belamente sonhava a constituição de 1988.

vidas humana valem

É isso que os juristas sérios, os cientistas e os médicos responsáveis recomendariam ter, claro na mente, os que nos governam e os que legislam em nosso nome, especialmente quando se trata da pandemia do coronavírus: vidas humanas valem.

Não há como apequenar o valor da vida humana que for sob argumento de que era uma vida com comorbidade ou uma vida idosa ou a de um negacionista da vacinação.

Todas as vidas humanas valem, importam e deveriam ser protegidas com rigor, jamais sendo desprezadas, jamais sendo desmerecidas em detrimento da pujança da economia ou do poder arbitrário concedido a transmissores do coronavírus que decidiram não se vacinar de entrarem em qualquer lugar ao custo de causar sério dano à saúde coletiva.

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Márcio Pannunzio, que reside em Ilhabela desde 1989, é artista plástico, fotógrafo, ilustrador, cartunista e jornalista. Seu trabalho de artista gráfico correu mundo e conquistou doze prêmios internacionais, entre eles, na XYLON 12 – International Triennial Exhibition of Artistic Relief Printing ( Suíça ), na Biennale Internationale d’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières, Première Édition ( Canadá ), no 3º Concurso Internacional de Minigrabado “Ciudad de Ourense” ( Espanha ), na BIMPE V – The Fifth International Biennial Miniature Print Exhibition ( Canadá ), na 1st International Small Engraving Salon Inter – Grabado 2005 ( Uruguai ). No Brasil foi premiado em trinta e nove ocasiões entre elas: no 10º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no 50º Salão Paranaense, na 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, no 3º Salão Victor Meirelles, no 2º Salão SESC de Gravura, no 26º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional – Contemporâneo, no 7º e no 3º Salão UNAMA de Pequenos Formatos, na VIII e na VII Bienal do Recôncavo, na II Bienal da Gravura, na 4ª e na 2ª Bienal de Gravura de Santo André, na 5ª e na 3ª Bienal Nacional de Gravura Olho Latino. Foi bolsista da Fundação Vitae em 2002 e figurou entre os vencedores dos editais ProAc de Artes Visuais de 2008, 2010 e 2011. Realizou trinta e uma individuais, cinco delas no exterior. Pratica a fotografia de rua e investe também no fotojornalismo. É colaborador exclusivo da Istockphoto da Getty Images e parceiro da agência de fotojornalismo Foto Arena. Como jornalista colaborou como articulista na primeira versão do Jornal da Ilha, na Folha da Cidade, na revista por dentro do Baepi. Assina a coluna de opinião foto em foco no Nova Imprensa desde 2016.

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