Réu na Operação Prelúdio acusa 4 vereadores de cobrarem propina em Ilhabela

Gabriel Rocha, Marquinhos Guti, Cleison Guarubel e Anísio Oliveira receberiam até R$ 10 mil mensais para não denunciar desvio de dinheiro público através de contrato superfaturado

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Operação Prelúdio II foi deflagrada em 2019 pela PF (Foto: PF/ Divulgação)

Um dos réus investigados na Operação Prelúdio, da Polícia Federal, que apura desvio de dinheiro em Ilhabela, acusou quatro vereadores da cidade de cobrarem propinas. Segundo Adriano César Pereira, proprietário da empresa Volpp Construtora, os parlamentares cobravam de R$ 5 mil a R$ 10 mil por mês para não denunciar o contrato ilícito. Os vereadores negam as acusações.

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Segundo delação do empresário publicada pelo Ministério Público no último dia 8 de junho, os vereadores Gabriel Rocha, Marquinhos Guti, Cleison Guarubela e Anísio Oliveira teriam recebido valores em ocasiões diversas. O ex-secretário de Finanças de Ilhabela, Thiago Corrêa, também é acusado de receber dinheiro da negociação em encontros realizado no estacionamento do hospital Mário Covas e em seu antigo gabinete na prefeitura.

Superfaturamento

De acordo com a investigação da Polícia Federal, a contratação da empresa Negreiros & Souza foi uma manobra, que chegou a desviar mais de R$ 9 mihões dos cofres públicos do arquipélago. Adriano teria financiado a campanha do ex-prefeito, Márcio Tenório, e em troca teria sido favorecido pelo contrato.

A companhia Negreiros & Souza foi contratada pela prefeitura em 2017 para realização de limpeza de podas e resíduos de construção civil na cidade, após rescisão do contaro anterior, sem justificativas. Os documentos apontam que o custo do serviço relizado anteriormente pela Peralta era de R$ 400 mil mensais, saltando para R$ 2,2 milhões no novo contarto. O aumento foi de 561%.

A empresária Tatiana Negreiros é acusada de usar a empresa para esconder a participação do dono da Volpp, já investigado na Operação Torniquete por irregularidades em diversos contratos de obras públicas em São Sebastião. Ela também seria responsável pela administração da operação e pelo repasse de propina.

Em maio de 2019, a PF visitou o gabinete e a casa do ex-prefeito prefeito da Ilha e de outros empresários da região supostamente envolvidos em pagamento de propinas. Márcio Tenório foi afastado de suas funções, bem como o secretário da Saúde, Osvaldo Julião, o advogado da prefeitura, Vinicios Julião, e mais três funcionários públicos da época.

Outro lado

O presidente da Câmara Municipal de Ilhabela, Marquinhos Guti, informou ao jornal Nova Imprensa que as acusações são falsas. “Essas falsas acusações são de 2017, época que eu não era presidente da Câmara e fiz várias denúncias, inclusive na tribuna, sobre a máfia do lixo. Nunca recebi dinheiro de nenhum empresário ou esquema ilegal. Foi na minha presidência que o prefeito eleito pelo esquema criminoso foi cassado”, destaca.

Ele ainda rebate que as acusações, consideradas absurdas, não foram provadas. “Estão sendo investigadas e sempre me coloquei à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Não tenho o que esconder. Estão tentando me difamar porque combati efetivamente o esquema e corrupção que se instalou em Ilhabela”, afirma .

O vereador Anísio de Oliveira também respondeu às acusações. Ele considera que o documento foi publicado pelo Ministério Público neste momento devido a proximidade das eleições. “Já ocorreu a Prelúdio I e Prelúdio II e em momento algum nunca teve nada relacionado à minha pessoa, agora chegando próximos as eleições divulgam esse documento onde não diz nada concreto e nenhuma prova. Nunca fui citado na Polícia Federal tampouco indiciado por nada. Isso só mostra que é totalmente intencional para denegrir minha imagem”.

E ressalta o trabalho feito em relação ao caso. “Eu investiguei essa empresa, fiz dossiê, requerimento pedindo o não pagamento das parcelas porque houve o superfaturamento do contrato. Tenho minha consciência tranquila e não serão acusações infundadas que vão manchar todo trabalho anticorrupção que fiz até aqui”, finaliza ele.

O vereador Gabriel Rocha respondeu através de seu advogado. “A defesa do vereador recebeu com surpresa e indignação os trechos narrados pelo Ministério Público em sua manifestação. O Sr. Gabriel Rocha não figura como réu e a sua defesa ainda não teve acesso ao conteúdo da colaboração premiada mencionada naqueles autos, o que inviabiliza um parecer aprofundado nesse momento. Contudo, é lamentável que o sigilo dos autos e a intimidade das partes sejam afrontados dessa maneira. De todo modo, o vereador tem absoluta convicção de sua idoneidade e está seguro de que nunca praticou nem compactou com nenhuma ilicitude, pautando sua conduta ética, política e profissional pelos princípios da transparência e da moralidade”.

O vereador Cleison Guarubela disse que ainda não foi notificado sobre a acusação de Adriano. “Em momento algum eu fui notificado. Caso isso aconteça poderei me manifestar. Mas estou tranquilo sobre a situação em questão”.

Propina em São Sebastião

Adriano da Volpp já é investigado na Operação Torniquete, deflagrada pela PF em novembro de 2017 para apurar o desvio de aproximadamente R$ 100 milhões dos cofres públicos de São Sebastião. As suspeitas são sobre contratos nas áreas do lixo, transporte, obras e saúde.

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