Porto de São Sebastião fatura mais 42,8% em 2019

Fim do período foi marcado por protestos contra maus tratos e degradação ambiental no embarque de animais vivos

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Em 2018 foram embarcados 150 mil animais em São Sebastião (Foto: Divulgação)

O Porto de São Sebastião registrou um aumento de 42,8% no faturamento neste primeiro semestre de 2019, em relação ao mesmo períododo ano passado. Foram R$ 11,2 milhões contra R$ 7,8 milhões em 2018. A movimentação de cargas teve crescimento de 22%, com cerca de 356 mil toneladas de produtos manejados.

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A carga predominante continua sendo os granéis sólidos como a barrilha, sulfato de sódio, ulexita, malte e cevada já tradicionais, além da entrada de novas cargas como a alumina, silicato de vidro e carvão mineral que começam a ser movimentadas regularmente pelo porto. Para o segundo semestre, a companhia trabalha para viabilizar a movimentação de novas cargas.

Protestos

Outro destaque da operação é o embarque de animais bovinos vivos para exportação, alvo de protestos de ambientalistas há anos. Em 2016 foram embarcados 46 mil animais vivos no porto de São Sebastião, número esse que subiu para 51 mil em 2017 e atingiu 150 mil no ano de 2018.

No dia 20 de julho, ativistas se reuniram nas cidades de Ilhabela e São Sebastião com faixas denunciando maus tratos, degradação do meio ambiente e impactos econômicos para a população, causados pela atividade.

“Os animais, cujo peso unitário é estimado em cerca de 300 a 400 toneladas vêm em pé, de várias cidades do interior do Estado de São Paulo para o Porto de São Sebastião, amontoados, sem alimentação e sem água, onde permanecem por várias semanas a fio, sem poder se mexer um só centímetro, sob temperaturas altas e sob risco de desastres, o que já ocorreu, pois alguns dos veículos transitam em altíssima velocidade, incompatível com as condições da estrada”, divulgou o grupo.

Os ativistas alertam ainda para o descarte de excrementos e o mau cheiro pela cidade. “Vão sendo descartados pelas estradas por onde passam esses caminhões excrementos (fezes, urina e sangue e vômito), o que causa odor desagradável e totalmente inconcebível para os moradores locais”.

Sobre a viagem, o grupo conta que as condições são ainda mais degradantes. “Autorizado o embarque os animais são empurrados para dentro do navio e aqueles que se recusam a andar, levam choques nos testículos. Dentro do navio, os animais se acumulam aos milhares em compartimentos minúsculos, sem a menor condição de sequer deitarem na exaustão. Permanecem sobre seus excrementos, o que provoca o aparecimento do gás de amônio, que pode causar desmaio, cegueira e a morte”.

Boi Herói caiu no mar e resistiu 5 horas nadando (Foto: Divulgação)

Acidentes 

No dia 14 de junho de 2018, um boi que estava sendo embarcado no Porto de São Sebastião caiu no mar e nadou durante cinco horas, quando foi resgatado pela tripulação do veleiro Endurance a 10 quilômetros de distância do local da queda. A equipe rebocou o animal até a praia das Cigarras com uma boia para flutuação da cabeça. Segundo os tripulantes, o animal estava muito estressado e tentou subir na embarcação com visível desespero. Ele ficou conhecido como Boi Herói. Ativistas ainda tentaram comprar o animal para libertá-lo, mas ele foi reembarcado no navio Adelta, de bandeira do Panamá, rumo ao Oriente Médio.

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