Marielle Franco vive na Semana de Vela

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Mais uma semana de vela, a 46ª. Feita com uma economia “na casa de dois milhões”, segundo a secretária de Turismo de Ilhabela, em relação ao ano anterior. Aí a gente pensa nesses milhões que poderiam no passado terem sido investidos em outras áreas e não foram. Que revolução causariam na cultura, na educação, no meio ambiente … Com receita superavitária Ilhabela conseguiria ser mesmo um paraíso mas a contabilidade que fazemos é sempre do que não se fez e daria para ser feito.

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Enfim, voltando ao tema da coluna, a abertura da Semana de Vela com desfile das embarcações em frente ao píer da vila despertou polêmica como o fez a 45ª que contou com protesto de pescadores e caiçaras.

Por causa de uma vela mestra bem menor que a de boa parte dos veleiros do desfile. Vela mestra com o desenho a grafite de Marielle Franco apoiada sobre quatro grandes letras escritas a mão com firmeza e energia em vermelho sanguíneo: VIVE. Apesar de aplaudida por muitos espectadores, desencadeou irados comentários nas redes sociais contra politização do evento.

O barco que a envergava era um pequeno veleiro antigo, seguramente com várias décadas de fabricação. Desenho elegante, presença majestosa para um diminuto tamanho que soube incendiar o olhar da plateia com a recordação dessa ferida que não fecha por causa de uma justiça que, de tanto tardar, efetivamente, falha. Ela dói mais em uns do que em outros. Mas não há como ocultá-la e esquecê-la.

A ação solitária da tripulação da embarcação não merece, todavia, ser demonizada sob a pecha de politizar um evento esportivo que deveria ser “puro”. A opção por essa “pureza” não deixa de traduzir uma escolha que é também política.

Verdadeiro clamor com força real para estimular demais a cruenta cizânia atual seria o despertado se ao invés da Marielle grafitada nesse pano modesto surgisse no desfile o veleiro atrevida, um clássico inquestionavelmente portentoso, ostentado numa de suas velas maiores o desenho dum careca com a pergunta que virou viral: cadê o Queiroz? Ou então com o retrato do Lula e a curta frase em letras garrafais: “Lula Livre”.

Para a boa saúde do espírito cordial que tão pouco ainda nos resta isso não aconteceu e vamos pois vivendo dia após dia na interminável espera de que dias melhores virão.

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Márcio Pannunzio
Márcio Pannunzio, que reside em Ilhabela desde 1989, é artista plástico, fotógrafo, ilustrador, cartunista e jornalista. Seu trabalho de artista gráfico correu mundo e conquistou doze prêmios internacionais, entre eles, na XYLON 12 – International Triennial Exhibition of Artistic Relief Printing ( Suíça ), na Biennale Internationale d’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières, Première Édition ( Canadá ), no 3º Concurso Internacional de Minigrabado “Ciudad de Ourense” ( Espanha ), na BIMPE V – The Fifth International Biennial Miniature Print Exhibition ( Canadá ), na 1st International Small Engraving Salon Inter – Grabado 2005 ( Uruguai ). No Brasil foi premiado em trinta e nove ocasiões entre elas: no 10º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no 50º Salão Paranaense, na 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, no 3º Salão Victor Meirelles, no 2º Salão SESC de Gravura, no 26º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional – Contemporâneo, no 7º e no 3º Salão UNAMA de Pequenos Formatos, na VIII e na VII Bienal do Recôncavo, na II Bienal da Gravura, na 4ª e na 2ª Bienal de Gravura de Santo André, na 5ª e na 3ª Bienal Nacional de Gravura Olho Latino. Foi bolsista da Fundação Vitae em 2002 e figurou entre os vencedores dos editais ProAc de Artes Visuais de 2008, 2010 e 2011. Realizou trinta e uma individuais, cinco delas no exterior. Pratica a fotografia de rua e investe também no fotojornalismo. É colaborador exclusivo da Istockphoto da Getty Images e parceiro da agência de fotojornalismo Foto Arena. Como jornalista colaborou como articulista na primeira versão do Jornal da Ilha, na Folha da Cidade, na revista por dentro do Baepi. Assina a coluna de opinião foto em foco no Nova Imprensa desde 2016.

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