PM consegue pedir namorado em casamento fardado

Corporação negou o pedido do soldado se manifestar em evento público

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A saída foi fazer o pedido longe da Parada do Orgulho LGBT (Foto: Daniel Arroyo/ Ponte)

O soldado da Polícia Militar, Leandro Prior, conseguiu pedir seu companheiro em casamento usando a farda da corporação, no último domingo (23). Inicialmente, o policial caraguatubense queria fazer uma surpresa para o namorado durante o a Parada do Orgulho LGBT, na cidade de São Paulo, mas a autorização foi negada pela PM.

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Segundo o Coronel Vladimir Reis da Silva, que negou o pedido de Prior, a Polícia Militar não distingue pessoas por orientação sexual, mas tem um regulamento de uniformes, onde as ocasiões para uso do fardamento estão previstas em obediência ao Artigo 37 da Constituição Federal da Polícia Militar. Deste modo, a PM considerou que manifestações desta natureza não estão previstas no regulamento de uniformes e não há fundamentação legal para autorização.

A saída do policial apaixonado foi fazer o pedido longe do evento, respeitando a decisão oficial. O namorado Elton da Silva Luiz recebeu o anel na Praça Largo Coração de Jesus, na capital, e aceitou o pedido. Depois eles seguiram para a Parada, na avenoda Paulista.

O policial militar conheceu seu namorado, um caça-talentos de uma agência de modelos, em um momento complicado. No ano passado, ele foi filmado dando um beijo em outro homem dentro do metrô de São Paulo e estava passando por um quadro de depressão profunda. O caso repercutiu e ele teve que responder administrativamente. Foi neste momento que o casal se uniu e, segundo Prior, Eleton foi decisivo para a superação dos problemas.

“O caso do selinho teve uma repercussão muito negativa dentro e fora da corporação. Primeiro porque Prior respondeu um processo interno por estar ‘desatento em local público’ e isso gerou graves abalos emocionais”, conta o advogado do PM, Antônio Alexandre.

Homofobia

Na época da negativa da PM, Prior declarou que não queria acreditar em motivação homofóbica por parte de seus superiores. “Me esforço a acreditar que a decisão não tenha sido motivada por homofobia. São inúmeros exemplos que vejo de admiráveis atos como esse pelo mundo e gostaria de me juntar a eles. Tenho orgulho de ser quem sou e orgulho de servir a população como membro desta corporação, no entanto, através dos meios legais, iremos apurar tais fatos para que sejam esclarecidos e que se houver alguma tendência homofóbica seja extraída de uma vez por todas. Todos temos o direito de sermos quem somos”.

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