Exposição do artista Márcio Pannunzio segue até 20 de julho

A visitação é gratuita no Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba

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Marcio Pannunzio apresenta 70 obras na exposição "Artes Menores em Tempos Indigentes" (Foto: Nova Imprensa)

A mostra ‘Artes Menores em Tempos Indigentes’, do artista plástico Márcio Pannunzio, segue exposta no Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba (MACC) até o dia 20 de julho. A exposição é gratuita e pode ser visitada de terça a sábado, das 10h às 18h.

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Artes Menores em Tempos Indigentes é a terceira exposição de Pannunzio no MACC, que reúne cerca de 70 quadros entre gravuras e desenhos e é, segundo o artista, uma crítica ao desdém com que é tratada esse tipo de arte; desprezada por ser “velha demais em um oceano de jovens artistas”.

Pannunzio considera que, “falar em ‘arte menor’ é desprestigiar o artista. Arte é ideia, conceito; é imaterial. Não tem tamanho. Não há como medi-la; inexiste fita métrica ou trena ou metro capaz de mensurar dimensões que vivem em sonhos. Não obstante, ela está presente à nossa volta permeada em coisas que vemos, lemos, tocamos, ouvimos”.
Tempos indigentes por vivermos tempos sombrios em que a arte acabou, cultura acabou, meio ambiente sendo desmontado. “A despeito de tanto progresso material, abissal é a desigualdade social. A despeito de tanto conhecimento, enorme é a ignorância. A despeito da maior expectativa de vida, gigantesco é o tempo que desperdiçamos com bobagens, nos odiando e nos armando uns contra os outros.

Márcio Pannunzio é natural da cidade de Casa Branca, no interior de São Paulo, onde morou até os três anos de idade, mudando-se depois para Sorocaba, depois para São Paulo. “Casa Branca é uma cidade encantadora; voltei lá ano passado e a casa que nasci estava da mesma maneira, congelada no tempo”.

Márcio conta que sempre quis ser “tudo o que o presidente quer eliminar”: sociólogo e filósofo, mas acabou cursando a Escola de Comunicação e Arte da Usp (ECA), onde estudou arquitetura por três anos. “Eu gostava de desenhar desde criança, mas ser artista plástico não dá dinheiro, por isso fui para arquitetura, mas aquilo foi um pesadelo pra mim”, desabafa.

Apesar do aborrecimento, Pannunzio sempre fez o melhor da faculdade. E foi nesse período que conheceu sua esposa. “Ele foi o primeiro aluno sempre, por isso me apaixonei por ele”, conta Tana Pannunzio, por quem é apaixonado há quarenta e cinco anos.


Tana conta que nesta época cursava artes plásticas na FAAP, onde fazia aulas de gravura e decidiu presentear o até então amigo com goivas (ferramentas usadas para esculpir), depois deu a dica dos kits para gravura. “Ele ficou doido, se encontrou ali”, conta ela.

Pannunzio também falou sobre o relacionamento. “Foi a Tana que foi me paquerando”, diz sorridente, “Ela é extrovertida, até hoje, e eu muito tímido”. Tana conta que foi sua mãe quem descobriu, ao dizer que achava que ela estava apaixonada pelo jovem. E ela investiu. “Temos uma cumplicidade muito forte, um depende muito do outro, como aquela história das duas metades da laranja, é real pra nós”, emociona-se o artista. “Eu nunca imaginei que um dia podia namorar com ela, uma mulher tão diferente, tão iluminada, era a líder da classe”.

Os dois se casaram em Ilhabela em 1987, para onde se mudaram dois anos depois. Saíram da Vila Madalena, bairro badalado da capital paulista para um lugar que se apaixonaram pelo nome. Mudaram-se em 1989, em busca de paz para criar. “Gostávamos de praia, tinha saúde e correio, para enviar minhas gravuras para o mundo, onde expunham meus trabalhos”.

Ele conta que a Ilhabela de 89 era diferente. Todos se conheciam, não havia trânsito e moravam em uma rua onde a copa das árvores formavam um túnel. “Era muito tranquilo, mas hoje é diferente. A cidade está rica em royalties mas pobre no que é importante: educação e saneamento básico”. Pannunzio explica que na exposição há um setor permitido apenas para maiores de 14 anos, que é a série Tristes Trópicos, onde ele retrata em gravuras a situação do país. “Na série mostro essa desigualdade social, a politicagem, a injustiça, a violência. Tem trabalhos que fiz em 89, 90 e continuam atuais, estamos vivendo a mesma realidade: políticos de cartola, com cara de porco, águia, roubando e manipulando a imprensa. Creio que a arte deva mandar uma mensagem”.

Pannunzio é artista plástico, trabalha com desenho, gravura, pintura e fotografia. Fez 39 exposições individuais, cinco delas no exterior. Participou de 89 eventos internacionais de gravura e foi premiado em diversos países como Suíça, Canadá, Porto Rico, Polônia, Romênia, Espanha, Argentina e Uruguai. No Brasil, foi premiado em 47 ocasiões, entre elas, no 10° Salão Paulista de Arte Contemporânea; 3º Salão Victor Meirelles; 50º Salão Paranaense; 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba; II Bienal da Gravura; 2º Salão Sesc de Gravura; VIII e na VII Bienal do Recôncavo; 4ª Bienal de Gravura de Santo André e 3ª Bienal Nacional de Gravura Olho Latino. Ele foi ainda bolsista da Fundação Vitae, em 2002, e premiado nos Programas de Ação Cultural do governo do Estado de São Paulo (ProAC) Edital de 2008, 2010 e 2011 e ProAc ICMS 2013. Suas últimas exposições individuais de grande porte aconteceram na Caixa Cultural do Rio de Janeiro e na Caixa Cultural da Sé em São Paulo

Serviço
Exposição ‘Artes Menores em Tempos Indigentes’
Visitação: de terça a sábado – 10h às 18h – até 20/7
Local: Praça Dr. Cândido Mota, 72, Centro – Caraguatatu

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