Haddad ressalta violência no Litoral Norte e falta de planejamento estadual contra o crime na região

Em agenda de campanha no Litoral Norte, o candidato ao governo estadual Fernando Haddad (PT) fez duras críticas à atual gestão da segurança pública na região. Segundo o ex-ministro, o crescimento dos índices de violência e o avanço da disputa entre facções criminosas nos municípios litorâneos têm sido negligenciados pelo governo do Estado pela falta de um planejamento estratégico direcionado.

Durante entrevista coletiva, ao lado da candidata ao Senado, Marina Silva, Haddad destacou que a criminalidade local tem impactado negativamente não apenas a rotina dos moradores, mas também o turismo e a economia da região. “Das 15 cidades mais violentas do estado, nove são desta região. E nós não temos uma política de segurança para a região. Isso afeta tudo: os negócios e o turismo local”, afirmou o candidato.

Guerra de facções e negação do governo

O candidato chamou a atenção para o avanço da disputa de território promovida por organizações criminosas, que vem avançando na divisa com o Rio de Janeiro, e acusou a atual gestão estadual de omitir o cenário exposto pela imprensa local.

“O Comando Vermelho está entrando, está tendo briga de facção aqui. A imprensa tem noticiado e o governador nega a existência aqui nessa região. Ele deveria, pelo menos, passar a ler os jornais para atestar o que está acontecendo aqui”, declarou.

Foto: Nanau Paes/ Nova Imprensa

Gabinete integrado com forças federais

Como solução para conter a expansão do crime organizado na região, Haddad apresentou sua proposta de criação de um gabinete integrado de inteligência, atuando diretamente em parceria com órgãos federais.

De acordo com o candidato, o plano de segurança estadual deve focar na troca de informações e na atuação conjunta com a Polícia Federal e a Receita Federal.

“Meu plano de segurança prevê um gabinete integrado de combate a facções com a Polícia Federal, com a Receita Federal. Nós, no estado, não podemos temer as forças federais, nós temos que interagir com elas. Porque a inteligência e a troca de informações é que vai, efetivamente, conter o crime organizado”, pontuou Haddad, garantindo que as instituições federais terão participação assídua em sua gestão institucional.

Mobilidade, infraestrutura e críticas às concessões

Além da pauta de segurança, o candidato abordou os gargalos de mobilidade urbana e infraestrutura que afetam os municípios do Litoral Norte. Ele citou a necessidade de melhorias na rodovia Rio-Santos (SP-55) e fez duras críticas ao modelo de privatizações e à gestão do serviço de travessia de balsas entre São Sebastião e Ilhabela.

“Temos que rever um pouco essa concessão da balsa para Ilhabela, que está ainda com muito problema. Como todos os serviços privatizados pelo Tarcísio, ainda está faltando a gente sentar com a concessionária para atender adequadamente as necessidades da população local”, cobrou.

Reindustrialização e sustentabilidade no Vale do Paraíba

Projetando o futuro econômico do estado, Haddad defendeu que a aprovação da Reforma Tributária será o pilar para acabar com a guerra fiscal e atrair novas indústrias de volta ao Vale do Paraíba e região.

O candidato citou modelos de sucesso do passado no setor de alta tecnologia e defesa para fundamentar sua proposta. “O Vale do Paraíba em geral pode ser reindustrializado com a Reforma Tributária. Ela acaba com a guerra fiscal. Nós podemos fazer um grande rearranjo, como fizemos com a Embraer, com a Avibras, e podemos voltar a trazer a indústria para cá”, pontuou.

Haddad disse ainda que o desenvolvimento industrial deve caminhar lado a lado com a preservação do meio ambiente, destacando o turismo como beneficiário direto dessa união. “Se o meio ambiente for bem cuidado, nós temos um grande impulso ao turismo local também. Indústria e meio ambiente podem estar reunidas em proveito do desenvolvimento sustentável”, concluiu.

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