Erosão avança na orla de Massaguaçu e destrói ciclovia

A ciclovia da orla da Praia do Massaguaçu, na região Norte de Caraguatatuba, foi destruída pela erosão que avança no local. É isso que mostra o vídeo enviado por um leitor do Nova Imprensa.
As imagens registradas no local, na última terça-feira (11), revelam afundamentos severos no piso intertravado, desalinhamento e blocos de tijolos soltos espalhados pela areia. A erosão provocada pelo mar solapou a base da estrutura, deixando o passeio sem sustentação.

Segundo a denúncia, o problema no trecho da rodovia Rio-Santos (SP-55), evidencia um problema crônico enfrentado há tempos.  A orla do Massaguaçu já passou por sucessivas intervenções de contenção e reconstrução nos últimos dez anos, que custaram milhões aos cofres públicos após episódios de ressacas e avanço da maré.
Entre as obras mais expressivas, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) investiu mais de R$ 9 milhões em 2021 em trabalhos de contenção para manter a estabilidade da rodovia após fortes ressacas.
ciclone
Foto do início das obras feitas em 2021
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Mapeamento aponta risco alto e muito alto de erosão

ciclovia
O biólogo Roque Alves

Para entender a dinâmica costeira da região e os impactos ambientais no local, o Nova Imprensa conversou com o biólogo e pós-graduado em gestão ambiental, Roque Alves. O especialista explicou que a fragilidade observada no Massaguaçu é respaldada por levantamentos científicos consolidados no Estado. Segundo eles, a praia do Massaguaçu figura entre as áreas mais vulneráveis de São Paulo, com setores classificados até em nível de risco Muito Alto

“Existem ferramentas que demonstram os estudos que foram feitos ao longo dos anos. Por exemplo, existe um mapa de suscetibilidade dos níveis de erosão costeira. Os índices variam entre níveis baixo, alto e muito alto, ressaltando que a situação do Litoral Norte exige atenção máxima“, pontua Alves.
O biólogo alertou que o cenário tende a se agravar com o impacto das mudanças climáticas e o aumento na intensidade dos fenômenos meteorológicos. “Então, na verdade, essa região toda está susceptível à erosão costeira, avanço do mar e eventos extremos cada vez mais frequentes, inclusive as ressacas”.

A duplicação da Rio-Santos

Os episódios frequentes de destruição da orla marítima também trazem à tona discussões sobre o projeto de duplicação da Rio-Santos, no trecho que liga Caraguatatuba a Ubatuba. Documentos técnicos e análises socioambientais apresentados por entidades civis e ambientalistas apontam que a manutenção do traçado atual da rodovia à beira-mar pode ser inviabilizada pelos processos erosivos.
A ampliação do asfalto na atual faixa de domínio aumentaria a impermeabilização do solo e eliminaria a vegetação de restinga, o que pode acelerar a erosão costeira e causar danos irreparáveis à infraestrutura em curto prazo.
Especialistas e estudos do Instituto Oceanográfico da USP (IOUSP) sugerem que a solução para a mobilidade na Região Norte não deve passar pela expansão no traçado litorâneo rente à areia. A recomendação técnica aponta para a necessidade de um traçado recuado em direção às encostas da Serra do Mar utilizando estruturas como túneis e viadutos, a exemplo do feito no Contorno Sul da Tamoios, preservando a faixa de praia como zona natural de amortecimento do mar.
De acordo com o biólogo, uma reunião da equipe com o prefeito Mateus Silva, o diretor do IOUSP Eduardo Siegle está para acontecer. O encontro vai tratar das pesquisas sobre a erosão e duplicação da rodovia.

Posicionamento da Prefeitura de Caraguatatuba

Procurada para se manifestar sobre os danos na orla, a Prefeitura de Caraguatatuba informou que os trechos da praia do Massaguaçu que apresentam deslocamento ou ausência de bloquetes vêm sendo constantemente monitorados pelas equipes da Secretaria de Serviços Públicos.

Segundo a administração municipal, a situação decorre, principalmente, da forte ação das marés, ressacas e da dinâmica costeira da região, que promovem a remoção e movimentação contínua do pavimento instalado junto à faixa de areia. A Prefeitura ressalta que, mesmo com as manutenções periódicas realizadas, a força do mar acaba provocando novos deslocamentos dos bloquetes em determinados pontos do calçadão.

Diante do cenário, a Secretaria de Obras Públicas informou que está realizando estudos técnicos para avaliar intervenções mais adequadas e duradouras, levando em consideração as características do local e os efeitos recorrentes da ação marítima.

Enquanto a solução definitiva é definida e implementada, a prefeitura garante que continuará executando os serviços de manutenção necessários para manter as condições de uso e a segurança da população que frequenta o trecho.

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