As investigações sobre o homicídio da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, ganham novos contornos com a divulgação de detalhes do laudo pericial e trechos do inquérito conduzido pela Polícia Civil no Litoral Norte, nesta segunda-feira (20/7).
De acordo com o delegado seccional de São Sebastião, André Luiz Matera Costilhas, e a equipe de investigação, a principal linha sobre a motivação do crime aponta para um conflito patrimonial decorrente da rescisão do contrato de trabalho da cozinheira.
Segundo a repórter investigativa Fernanda Piacentini, exames técnicos realizados na caminhonete Nissan Frontier pertencente à empresária Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, identificaram ao menos duas marcas de disparos de arma de fogo. A perícia constatou que os projéteis foram efetuados do interior para o exterior do veículo, elemento que enfraquece a tese de disparo acidental.
O corpo da vítima foi localizado na tarde da última sexta-feira (17) em um penhasco na região de Lídice, na divisa entre Rio Claro e Angra dos Reis (RJ). A vítima estava presa à copa de uma árvore em um trecho de ribanceira íngreme, o que indica ter sido arremessada da pista.

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Resgate do corpo e evidências
A remoção do cadáver mobilizou policiais civis, bombeiros e equipes do Grupo de Pronta Resposta do 3º BAEP, em uma operação de alta complexidade em terreno acidentado. Embora o reconhecimento preliminar tenha sido feito por familiares mediante traços físicos e tatuagens, o material biológico e a ossada foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de testes formais de DNA e exames necroscópicos detalhados exigidos pela Justiça.
O inquérito policial detalha ainda a tentativa de ocultação de evidências. O aparelho celular de Eliane foi encontrado em um terreno vizinho à sua residência, após ter sido resetado e ter seus arquivos apagados no momento da prisão.
Além disso, a Polícia Civil efetuou a apreensão do sistema de gravação DVR de câmeras do estabelecimento devido à resistência na entrega voluntária das imagens. O processo fundamenta a manutenção da prisão temporária da empresária apontando risco de destruição de provas e alteração de rotas após seus depoimentos iniciais às autoridades.

