Um ano da tragédia em Ubatuba: a recuperação dos sobreviventes e o alerta do avião em pista curta

Há exatamente um ano, o barulho das ondas na Praia do Cruzeiro, no centro de Ubatuba, foi silenciado pela explosão de um avião, episódio que marcou o Litoral Norte. Nesta sexta-feira (9), a cidade relembra o acidente com o jato Cessna Citation 525, matrícula PR-GFS, que não conseguiu frear no Aeroporto Gastão Madeira, atravessou a avenida e explodiu na areia.

No avião estavam o piloto e uma família, um casal com seus filhos de seis e quatro anos, que foram resgatados. O piloto Paulo Sergio Seghetto, de 55 anos, foi a única vítima fatal, preso às ferragens.

Doze meses depois, o cenário é de reconstrução para os sobreviventes e de alerta técnico para a aviação executiva na região. Mas o que mudou desde então?

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Avião e a armadilha da pista molhada

Enquanto as vidas se refazem, a discussão técnica sobre o Aeroporto de Ubatuba permanece acesa. A Polícia Civil concluiu o inquérito ainda em 2015 e o remeteu à Justiça e à Polícia Federal. Sem apontar um culpado isolado, a investigação tratou a tragédia como uma soma de fatores adversos.

O foco agora está no relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), que deve ser publicado nos próximos meses. A análise preliminar aponta para a “excursão de pista” causada por um cálculo de física e meteorologia.

O aeroporto possui 940 metros totais. O manual do Cessna Citation 525 exige, para pouso em pista molhada (como no dia do acidente), cerca de 800 metros para frear com segurança. Devido à neblina cobrindo o mar, o piloto aproximou-se pelo lado da serra. Nesse sentido, devido aos obstáculos naturais, a pista útil para toque cai para cerca de 560 metros.

Técnicos apontam que, ao tocar o solo vindo da serra e com o asfalto molhado, o que gera aquaplanagem e reduz o atrito, a aeronave simplesmente não tinha espaço físico suficiente para parar, rompendo o alambrado e invadindo a rua.

O que mudou?

Até agora não houve criação de novas leis, mas sim uma mudança de comportamento imposta pelo medo e pela rigidez técnica. A fiscalização sobre o planejamento de voo para Ubatuba tornou-se severa.

Pilotos e operadores de jatos executivos agora evitam operações no local sob chuva ou condições marginais, respeitando rigorosamente os limites dos manuais das aeronaves para evitar que a tragédia de 2025 se repita.

O milagre da Família FriesMãe de mulher resgatada em estado grave após avião explodir ...

Para as equipes de resgate, a sobrevivência dos quatro passageiros segue sendo considerada um milagre. O casal de empresários rurais de Goiás, Mireylle Fries e Bruno Almeida Souza, viajava com os dois filhos pequenos.

Mireylle foi quem inspirou maiores cuidados. Após ser retirada das chamas, testemunhas relatam que ela agiu heroicamente para salvar os filhos mesmo ferida, ela passou semanas na UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, tratando queimaduras e traumas severos.

Hoje, um ano depois, ela já recebeu alta e segue a reabilitação em casa, ao lado do marido e das crianças, que se recuperaram fisicamente sem sequelas graves.

Outra vítima do acaso, a professora Rosana Maria Alves Vieira, que caminhava na calçada e foi atingida pelos destroços, também se recuperou das fraturas e retornou a Belo Horizonte, celebrando o fato de ter “nascido de novo”.

Branquelo: O mascote

Entre as muitas histórias que se alinhavam ao acidente, uma ganhou contornos de comoção popular. O cão comunitário Branquelo, que vivia próximo a um parque de diversões na orla, foi atingido pela bola de fogo e pelo querosene da aeronave.

Com queimaduras graves no focinho e risco iminente de cegueira devido a úlceras nas córneas, ele foi salvo por uma mobilização que uniu moradores e a veterinária voluntária Alice Soares. Uma vaquinha custeou o tratamento.

O boletim de um ano é positivo: Branquelo recuperou 100% da visão de um olho e 70% do outro, vivendo hoje saudável e apadrinhado pela comunidade da Praia do Cruzeiro.

avião

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