Brasil lidera investimento em Inteligência Artificial, aponta especialista: “Não veio para substituir, mas para potencializar”

O Brasil tem se consolidado como um dos principais polos globais de investimento em Inteligência Artificial (IA), superando nações desenvolvidas. Essa ascensão, impulsionada por um ecossistema de startups vibrante e pela criatividade nacional, está transformando o cenário empresarial, otimizando processos e aprimorando a experiência do cliente.

Para Ricardo Portela, Diretor de Negócios da Genoa Performance, empresa especializada em IA, a tecnologia não veio para substituir empregos, mas para “potencializar o que nos torna únicos, desbloqueando nosso verdadeiro potencial”.

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Portela, com vasta experiência em multinacionais e consultoria, destaca que a IA permite a redução de custos, o aumento da produtividade e a criação de modelos de negócios mais atraentes, impactando diretamente a competitividade das empresas brasileiras.

Criatividade e adaptação local

Questionado sobre os diferenciais da abordagem brasileira em relação à IA, comparada a países como Estados Unidos, Alemanha ou França, Portela ressalta que, embora os grandes centros de pesquisa e infraestrutura ainda estejam no exterior, o Brasil se destaca pela “boa abordagem em aplicação das soluções de IA para as necessidades locais, principalmente no universo de pequenas e médias empresas”. Ele aponta o uso criativo e flexível da tecnologia como um diferencial competitivo.

A liderança brasileira nesse cenário, segundo o especialista, também é influenciada pelo crescimento de hubs de inovação em cidades como São Paulo, Recife e Florianópolis, além da constante necessidade de aumento de performance e do papel do programa governamental  Estratégia Brasileira de IA (EBIA). O setor financeiro, com aplicações em fraudes, crédito, investimentos e atendimento, é apontado como um dos líderes na adoção.

Redução de custos e aumento de qualidade

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A Inteligência Artificial tem se mostrado um verdadeiro motor de transformação. Ricardo Portela compartilha exemplos concretos de resultados alcançados com clientes da Genoa Performance. Na TKE, houve a redução de 33% nos cancelamentos de contrato com o uso de agentes de IA preditivos. Para o Serasa Experian, o tempo de detecção de anomalias foi reduzido de quatro semanas para apenas três horas.

Já a CPFL, a redução de 70% nas multas da Aneel e para a Brasilprev, a conquista do aumento de 23% na nota de qualidade de atendimento.

Com relação ao Retorno Sobre Investimento (ROI), Portela explica que o número varia muito por projeto, mas, no segmento de atendimento, a percepção é de um payback de 12 a 24 meses e um ROI de 40% a 50%.

Ética, privacidade e o mercado de trabalho

Com a crescente preocupação sobre ética e privacidade de dados, Portela destaca a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como um grande avanço no Brasil, que tem guiado as empresas na adaptação de seus produtos e serviços. Ele cita como exemplo a evolução da Genoa Performance para um modelo onde a solução de IA roda 100% no ambiente do cliente, sem que nenhum dado saia para a internet, reforçando a segurança e privacidade.

Em relação à substituição de empregos pela IA, Portela compara a situação a outras transformações tecnológicas históricas, como a eletricidade substituindo as lamparinas ou o automóvel as carroças. “O impacto tem sido como sempre foi… medo e desconfiança. Nenhuma mudança é confortável”, afirma. A solução, segundo ele, virá com paciência, flexibilidade e adaptação, através de iniciativas como bootcamps, reskilling corporativos e plataformas educacionais.

Formação de talentos e projeções para o futuro

Apesar do avanço, a demanda por talentos especializados em IA ainda é grande, indicando um déficit no sistema educacional. Embora já existam cursos de IA e Data Science, Portela sugere a necessidade de mais cursos focados na aplicação da IA em diversos segmentos e na maximização das ferramentas disponíveis, não apenas na programação.

Sobre as projeções para os próximos 10 anos, Portela adota uma postura cautelosa. “O maior erro que as pessoas fazem é projetar o futuro como se fosse uma propagação ou desdobramento do presente”, explica, lembrando que imprevistos e inovações disruptivas são imprevisíveis.

No entanto, ele espera um crescimento de investimentos públicos e privados, a consolidação de centros de excelência regionais e a expansão da IA para áreas como educação (IA personalizada, tutores virtuais), saúde pública (combate à fraude, gestão de recursos) e mobilidade urbana (planejamento de rotas, cidades inteligentes).

O empresário brasileiro não gosta de ser o pioneiro, afirma Portela. “Ele gosta de saber se alguém já usou ou se tem casos de sucesso, antes de fazer algum tipo de investimento”, explica.

Por fim, o especialista aconselha que o próximo passo para as empresas brasileiras seja “perder o medo e a desconfiança”, escalando projetos-piloto para toda a organização e investindo em governança algorítmica e IA responsável.

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Ricardo Portela

Ricardo Portela é um profissional com uma combinação rara de habilidades técnicas e visão estratégica, capaz de liderar iniciativas de transformação digital com foco em resultados tangíveis.

Sua abordagem centrada no ser humano e na integração inteligente da tecnologia o posiciona como uma liderança influente no cenário da inovação empresarial no Brasil.

 

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