DIG de São Sebastião assume investigação do caso Berenice; veja o que se sabe até agora

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião assumiu oficialmente o inquérito policial que apura o desaparecimento e a morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Farias, de 60 anos. Sob a coordenação do delegado Tadeu Ricardo de Castro e do escrivão Diego Machado Silva, as investigações do caso reúnem um robusto conjunto de provas eletrônicas e testemunhais que desmentem a versão apresentada pela principal suspeita, a ex-patroa Eliane Alves dos Santos. Entenda o caso aqui.

O trabalho da equipe especializada da DIG expôs as contradições do álibi de Eliane. Em depoimento, a empresária afirmou ter pago R$ 2.600 em dinheiro vivo para Berenice no dia 30 de junho de 2026, por volta das 16h, e que teria deixado a idosa com malas pesadas no trevo de Ubatumirim. No entanto, ela admitiu não ter recibo da transação. Para confrontar a versão, a polícia oficiou a empresa de transporte coletivo, que confirmou formalmente que nenhum cartão ou validador registrou embarque em nome da cozinheira na região.

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Segundo a jornalista e repórter investigativa Fernanda Piacentini, as provas tecnológicas de monitoramento veicular foram cruciais para desarmar a farsa. Cruzando dados dos sistemas TPA (Taxa de Preservação Ambiental) e da Muralha Paulista, os investigadores descobriram que a caminhonete Nissan Frontier preta de Eliane (placa DQK-K2C36) passou pelo bairro Camburi, sentido Rio de Janeiro, às 16h39 do dia do crime. Apenas 34 minutos depois, às 17h13, o veículo foi registrado cruzando a divisa de Paraty (RJ), rota completamente oposta à alegada carona rumo ao Centro de Ubatuba. O inquérito revela ainda que, após prestar depoimento em 2 de julho, Eliane escondeu a caminhonete nas cidades de Jacareí e Taubaté, no Vale do Paraíba, na tentativa de evitar perícias de DNA e vestígios de sangue.

O caso ganhou contornos de homicídio consumado, de acordo com a repórter, após a identificação de um cúmplice, Magno dos Santos Neri Barbosa, conhecido como ‘Nei’ ou ‘Nem’. Apontado como primo de Eliane, Nei confidenciou a pessoas próximas que estava no interior da caminhonete quando a empresária sacou uma arma de fogo e atirou contra a cozinheira, matando-a ali mesmo.

Além disso, uma testemunha ligada à família relatou em depoimento que entrou no quarto de Berenice durante uma discussão e notou uma marca vermelha recente no rosto de Eliane, compatível com um arranhão de combate corporal.

A linha de defesa amadora da suspeita também envolve seu companheiro, um ex-bombeiro militar que tentou plantar uma narrativa de que o trevo de Ubatumirim era perigoso e visado por assaltantes do Rio de Janeiro. A polícia registrou no relatório que a observação foi atípica e descontextualizada, indicando uma indução intencional.

As medidas judiciais em curso incluem mandados de busca e apreensão forçada do gravador de segurança (DVR da Intelbras) da pousada da investigada. A polícia também obteve a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos, determinando que as operadoras Claro e Vivo forneçam o mapeamento das Estações Rádio-Base (ERBs) para rastrear o trajeto exato dos celulares de Eliane e Berenice.

Os trabalhos da DIG prosseguem em ritmo acelerado para localizar o corpo da vítima na divisa com o Estado do Rio de Janeiro e formalizar o indiciamento de todos os envolvidos no crime.

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