Uma baleia jubarte deu um show e surpreendeu moradores e visitantes logo no início da manhã desta sexta-feira (17) com saltos e acrobacias. O animal foi o primeiro registrado na costa brasileira durante a temporada de migração da espécie em 2026. A baleia foi foi vista no sul da ilha e também nas proximidades da balsa.

Pelo segundo ano consecutivo, o primeiro avistamento de jubarte no país ocorre em Ilhabela, reforçando a presença cada vez mais frequente dos animais na região desde o início da temporada.
Rota migratória ancestral
Todos os anos, a partir de abril, a espécie inicia uma longa viagem que parte das águas geladas do sul do continente em direção ao litoral da Bahia, especialmente ao arquipélago de Abrolhos, um dos principais berçários de baleias no Atlântico Sul.
Vindas de áreas de alimentação próximas à Antártida e do extremo sul da Argentina, elas percorrem cerca de 4 mil quilômetros em uma migração que pode durar mais de dois meses. O objetivo não é buscar comida, mas garantir a reprodução em águas mais quentes e rasas, ideais para o nascimento e os primeiros meses de vida dos filhotes.
Durante o trajeto, as jubartes exibem comportamentos que chamam a atenção de pesquisadores e observadores: saltos impressionantes fora d’água, batidas de nadadeira e de cauda na superfície e, principalmente, o canto dos machos — vocalizações longas e complexas que podem ser ouvidas a quilômetros de distância e funcionam como parte do ritual de acasalamento.
Ao chegarem a Abrolhos, entre junho e novembro, as baleias encontram um ambiente ideal. Ali, as fêmeas dão à luz e amamentam os filhotes, que nascem com cerca de quatro metros e podem ganhar até 40 quilos por dia apenas com o leite materno. Nesse período, é comum observar mães e filhotes nadando lentamente, descansando na superfície e realizando movimentos sincronizados, enquanto os machos disputam a atenção das fêmeas em verdadeiras coreografias aquáticas.
Outro comportamento marcante é a proximidade com a costa. Diferentemente do período em que estão na Antártida se alimentando, quando permanecem em alto-mar, no Brasil as jubartes se aproximam do litoral, o que torna a observação possível até mesmo a partir de praias e mirantes naturais.
A rota migratória, repetida geração após geração, transformou o Litoral Norte em um dos principais pontos de observação no mundo. Mais do que um espetáculo da natureza, a presença das jubartes marca o ritmo das estações no mar brasileiro e reforça a importância da preservação dessas áreas, essenciais para a sobrevivência da espécie.
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Proteção
O movimento acompanha um trabalho que não parou desde o último ciclo. O monitoramento seguiu ao longo de todo o período com acompanhamento do Conselho Municipal de Turismo de Ilhabela, apoio técnico do Projeto Baleia Jubarte e parceria com iniciativas como o Projeto Baleia à Vista e o próprio Instituto Viva Verde Azul.
Com base nos resultados da temporada anterior, o conselho aprovou recursos do fundo de turismo para reforçar o monitoramento embarcado, voltado à orientação sobre as regras de avistamento e apoio à fiscalização no mar. A operação para 2026 prevê equipe técnica especializada, uso de drone para registro de possíveis infrações e cobertura de toda a costa durante a temporada.
“Temos um grande desafio, uma vez que na região estão registradas cerca de 17 mil embarcações. Todos querem ver as baleias, mas é imprescindível que o avistamento seja feito dentro das regras”, afirma Harry Finger, presidente do Comtur e secretário de Desenvolvimento Econômico e do Turismo. “A verba aprovada vai reforçar o monitoramento embarcado, que já vem sendo realizado desde 2022, com equipe técnica, operador de drone e estrutura para acompanhar toda a costa”.
Além das ações no mar, a preparação inclui orientação nas marinas, treinamentos para operadores de turismo em conjunto com o Projeto Baleia Jubarte, com base na Portaria IBAMA 117/1996, e uma nova edição do selo “Ilhabela, Cidade Amiga das Baleias”, voltado a empresas que seguem as regras de observação responsável.

