viagem pitoresca e histórica ao brasil pátria amada brasil

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sem sorte nem na morte morrem que nem gente

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o triunfo da morte/ desenho digital/ Márcio Pannunzio

 

Quatrocentos e dez mil mortos. Quatorze milhões e oitocentos mil contaminados. Trinta e cinco milhões sobrevivendo com menos de oito reais por dia. Cento e cinquenta reais de auxílio emergencial.

O brasil pátria amada brasil tem saudades da década de setenta, ápice da ditadura militar, quer dizer, da revolução gloriosa, da redentora e queria muito demais além que qualquer numérica conta ser novamente noventa milhões em ação todos juntos num só coração pra frente Brasil...

Mas o coração hoje se enrubesce de tantos lutos e de tantos mortos ensacados em plástico mais escuro que o mar sem fundo e o abissal espaço sideral.

O coração se esvazia e falece da cordialidade do Brasil do meu amor terra do nosso Senhor que nalgum momento e tão recente virou pátria pária.

Onde não há mais lugar pra mulato inzoneiro. Dois deles, na verdade, negros, – não mulatos, foram ilegalmente presos, seviciados e assassinados por furtarem quatro pacotes de carne de charque. Carne de sertão.

tristes trópicos/ gravura/ xilografia de topo/ Márcio Pannunzio

 

Não o filé mignon que devem ter degustado com a afetação pernóstica da boa etiqueta as beldades todas alvas proprietárias duns negócios num pantagruélico rega-bofe no palácio do planalto central e que posaram aprumadas e ajoelhadas, algumas, para a admiração da patuleia, todas sorridentes, abraçadinhas orbitando em volta do seu eleito sol, paladino da moral & bons costumes, dono dum exército sempre a postos para sob seu mando varonil, guerrear pela liberdade e a democracia ultrajadas por esses governadores e prefeitos que boicotam o direito de ir e vir. Dia 30 de abril; apenas quatro dias depois da execução da pena da matança miliciana por apropriação de quatro porções de carne-velha.

Setecentos reais. Qualquer uma dessas branquelas bolsonaristas torra mais que isso em salão de beleza ou no pet shop.

Setecentos reais. Qualquer uma dessas lindezas maquiladas gasta isso abastecendo o tanque dos seus bólidos blindados importados.

Setecentos reais. Qualquer uma dessas donas de botocadas caras paga isso num almoço ou jantar na bodega do chef celebridade da ocasião.

Setecentos reais. Qualquer uma dessas ávidas figurantes de coluna social, instagram, facebook e que tais remunera com isso a limpezinha duma fração apenas da sua bocarra de tão fartos, incisivos e branquíssimos dentes.

Setecentos reais. Qualquer uma dessas empresárias empavonadas gasta muito mais que isso para comprar seus sapatinhos salto alto agulha de grife para se elevarem bem acima da pobraiada arrebitando suas bundonas e empinando suas tetonas transbordando silicone muito mais cara que setecentos reais saltitando então num tique-taque excruciante.

Setecentos.

Reais.

O preço de duas vidas. Pretas. Vidas. Os dois pretos, tio e sobrinho bem que tentaram e bastante mesmo. Telefonaram prum monte de gente: amigos e parentes. No desespero de conseguir esses setecentos reais. Em vão. E viraram mais dois CPFs cancelados. Igualzinho aquele risonhamente abraçado e acintosamente exibido pelo presidente em foto oficial feita ao lado do seu sequaz Sikêra Júnior dois dias antes.

Já as fotos terminais dos dois pretos trucidados não ilustraram nem vão ilustrar matéria jornalística nenhuma e jamais coluna social alguma até porque nem mais rosto eles tem tanto tiro tomaram e logo no rosto que nem mais rosto ficou de tão disforme e massarocado em carne nua e crua e sangue demais numa dor intemporal que não se mede, não se conta e não se cura.

E a notícia desse duplo extermínio por milícia baiana a mando do gerente e seguranças de um supermercado popular de Salvador, propriedade de Teobaldo Costa, político milionário filiado ao DEM, figurou por uns instantes na mídia.

Logo sepultada e esquecida que nem morto pela coronavírus que não se acaba no brasil pátria amada brasil diante da luminosidade, do brilhantismo do encontro desse mulherio empreendedor com o presidente e seus asseclas em nome dum singelo pedido meiguiceiro ao governo que festivamente elegeram: “ter um olhar social”.

No dia seguinte a esse almoço nababesco noticiado com alarde em tudo quanto é jornal impresso e virtual com direto a foto panorâmica da mulherada desmascarada aglomerada ovacionando seu messias líder mito, e ruas e praças brasileiras amanheceram sequestradas por uma gentarada embandeirada numa gritaria não em prol do “olhar social”.

Olhar social.

Não combina com pronome pessoal e logo com o primeiro deles. Olhar social invoca solidariedade. Conceito esse absolutamente em desuso no brasil pátria amada brasil.

EU AUTORIZO O PRESIDENTE

Isso berravam os seus cartazes coléricos amarelo ovo estuprados com a autoritária grafia capitular dessa curta frase tão curta igual  aquela arbitrária sentença que não satisfeita de odiosamente torturar duas simplórias pobres vidas pretas periféricas, metralhou suas faces as desfigurando tanto e tanto a tal ponto de até mesmo na morte não morrerem feito gente.

 

fotos: Márcio Pannunzio

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Márcio Pannunzio, que reside em Ilhabela desde 1989, é artista plástico, fotógrafo, ilustrador, cartunista e jornalista. Seu trabalho de artista gráfico correu mundo e conquistou doze prêmios internacionais, entre eles, na XYLON 12 – International Triennial Exhibition of Artistic Relief Printing ( Suíça ), na Biennale Internationale d’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières, Première Édition ( Canadá ), no 3º Concurso Internacional de Minigrabado “Ciudad de Ourense” ( Espanha ), na BIMPE V – The Fifth International Biennial Miniature Print Exhibition ( Canadá ), na 1st International Small Engraving Salon Inter – Grabado 2005 ( Uruguai ). No Brasil foi premiado em trinta e nove ocasiões entre elas: no 10º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no 50º Salão Paranaense, na 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, no 3º Salão Victor Meirelles, no 2º Salão SESC de Gravura, no 26º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional – Contemporâneo, no 7º e no 3º Salão UNAMA de Pequenos Formatos, na VIII e na VII Bienal do Recôncavo, na II Bienal da Gravura, na 4ª e na 2ª Bienal de Gravura de Santo André, na 5ª e na 3ª Bienal Nacional de Gravura Olho Latino. Foi bolsista da Fundação Vitae em 2002 e figurou entre os vencedores dos editais ProAc de Artes Visuais de 2008, 2010 e 2011. Realizou trinta e uma individuais, cinco delas no exterior. Pratica a fotografia de rua e investe também no fotojornalismo. É colaborador exclusivo da Istockphoto da Getty Images e parceiro da agência de fotojornalismo Foto Arena. Como jornalista colaborou como articulista na primeira versão do Jornal da Ilha, na Folha da Cidade, na revista por dentro do Baepi. Assina a coluna de opinião foto em foco no Nova Imprensa desde 2016.

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