foto em foco: Nostromo & a ilha da morte

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Nostromo & a ilha da morte

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Nostromo. É nome dum romance de Joseph Conrad e é também o do rebocador espacial de duzentos e quarenta metros de comprimento que se afigura ainda muito mais gigantesco por causa da refinaria de minério, medindo três mil e duzentos metros de comprimento por dois mil e quatrocentos metros de largura que reboca, abrindo as primeiras cenas do filme de terror Alien, o oitavo passageiro, dirigido por Ridley Scott.

O exterior da enorme nave é repleto de saliências que se parecem com uma inescrutável escrita em relevo feito hieróglifo. Duma solidez de encouraçado, parece navegar devagar no escuro espaço sideral e depois dos frames iniciais exibirem seu costado rugoso, passamos a ver suas entranhas metálicas labirínticas.

Numa época em que a gente podia circular livremente pela balsa, sem nos aprisionarmos no interior do carro ou na área destinada aos pedestres, fiz uma das minhas primeiras séries fotográficas tomando como tema os petroleiros.

A visão desses navios portentosos que a travessia na balsa favorecia era privilegiada; a aproximação era lenta, permitindo divisar o perfil deles que, na distância, pareciam se amalgamar com o sopé da serra do mar para, aos poucos, gradualmente dela se apartarem, ganhando um primeiro plano onde emergiam cada vez maiores, monumentais conforme a balsa percorria a estreita língua de mar navegando da ilha para o continente.

O momento de maior impacto era quando a embarcação cheia de carros passava rente à proa ou à popa dos gigantes. Nessa hora a sensação era de sermos formigas diante do paredão ferroso e enegrecido que se levantava escultórico d’água torcendo o pescoço de quem o encarava pretendendo enxergar o convés lá acima, na altura dum arranha-céu.

Obra primorosa da melhor engenharia naval, nas décadas de oitenta e noventa, eram mal vistos; considerados sucatas emporcalhando o canal de São Sebastião. Acidentes envolvendo derramamento de petróleo e poluição de praias no Litoral Norte eram comuns. Ainda vive na memória o desastre que foi a explosão no Alina P.; seis tripulantes se feriram e um morreu. O estrondo foi ouvido em Ilhabela e São Sebastião e houve quem achou que foi trovão, estranhando trovoar num dia ensolarado.

O enorme navio ficou semi afundado durante uma eternidade, agonizando. Foi então finalmente rebocado e afundado longe da costa.

Nostromo – série fotografica

fotos: Márcio Pannunzio

 

Que paralelismo existe entre os petroleiros no canal de São Sebastião e a nave espacial Nostromo? Afora a semelhança do tamanho, o fato de transportarem material nocivo. No filme, fica-se sabendo que a ordem de trazer o alien assassino para a Terra ocultava interesse militar e comercial, forte o suficiente para fazer vista grossa à segurança da tripulação.

O petróleo transportado nos tanques dos navios desgraçou as praias de Ilhabela, São Sebastião e Caraguatatuba por anos a fio, assassinando a vida marinha e espantando turistas para longe.

Esse petróleo que alimenta a indústria polui a terra, contamina a água, enegrece a atmosfera e ao fazer funcionar automóveis e caminhões, desorganiza as cidades fomentando a segregação social e a degeneração do tecido urbano o tornando área inóspita. As cidades se esforçam para se adaptar aos carros, mas esse esforço é inglório e inatingível. Nessa batalha, elas se degradam e degradam a vida humana ao se transformarem em selvas de concreto, tijolo baiano e madeirit onde a existência se esgarça machucando as pessoas.

Se no passado o petróleo prejudicou Ilhabela, hoje a sua exploração atrás da ilha a beneficia ao elevá-la ao patamar duma das mais ricas cidades brasileiras, graças à receita milionária dos royalties, uma compensação financeira paga pelo direito de instalar plataformas petrolíferas off-shore no seu território.

Diante disso, seria esperado que a ilha fosse festejada por assim possuir dinheiro em fartura para assegurar uma vida confortável e segura aos munícipes e não infelicitada com a alcunha de “ilha da morte”.

“Ilhabela não pode ser a ilha da morte”: palavras de Marco Vinholi, Secretário do Desenvolvimento Regional de São Paulo, censurando o prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci por ter desrespeitado várias vezes o Plano São Paulo do governo do estado. “A conduta é típica de quem flerta com o negacionismo e os maus exemplos do presidente Jair Bolsonaro” disse o secretário.

Rotular Ilhabela de ilha da morte é um exagero, sem dúvida. E o prefeito expôs seus argumentos num vídeo incorporado na matéria jornalística de Thaís Leite publicada no jornal o Vale.

Boletim informativo da Covid informa que faleceram na ilha trinta e quatro pessoas. Do final de 2020 para os últimos dias dos primeiros quatro meses de 2021, o número de casos de contaminação quase dobrou, passando de 3.348 para 6.024 e o de mortes, mais que dobrou, subindo de 16 para 34. Sob qual ótica interpretar esses números?

Bom, no entendimento do senador Luiz Carlos Heinze, suplente na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, são um exemplo de sucesso porque Ilhabela, nas suas palavras, presidida pelo médico Cássio Prado, aplicou o tratamento precoce. Prefeito Cássio Prado; não Toninho Colucci. Se o parlamentar do Partido Progressista pelo Rio Grande do Sul trocou estupidamente em rede nacional logo nessa CPI que hipnotiza o país, o nome do prefeito de Ilhabela pelo de Porto Feliz, será então confiável essa sua longa arenga de defesa bolsonarista citando como verdadeiros casos de fake news amplamente desmascarados pelos órgãos de imprensa de verificação?

Todavia, esses trinta e quatro mortos, se comparados aos cento e trinta e seis mortos da vizinha São Sebastião, são menos alarmantes. Mas, se empáticos, sofrermos uma fração pequena do que sofreram as famílias que rapidamente enterraram seus parentes sem ter tido a chance de os velar como mereciam, esses números não nos reconfortam. E também são inteiramente inúteis para todos que se contaminaram e ficaram sequelados.

O número de mortos foi crescendo no Brasil inteiro e a cada novo recorde foi se tornando apenas isso: um número incompreensível como incompreensível é o acidentado relevo do costado da nave espacial Nostromo e a rugosidade fora do alcance das nossas mãos do casco áspero dos petroleiros no canal.

Um número. Totalmente dissociado dos rostos conhecidos e queridos que, ensacados em invólucros plásticos tão escuros quanto o espaço sideral e o mar profundo, foram imediatamente sepultados. Aqueles que os perderam, padecem sozinhos no seu desespero, potencializado pela brutal recessão econômica que está levando à miséria uma infinidade de pessoas.

Trinta e cinco milhões é um número maior do que o dos contaminados pelo coronavírus no Brasil propagandeados no noticiário onipresente da pandemia. Jânio de Freitas nos informa que esse é o número de brasileiros agora passando fome por viverem com apenas oito reais por dia. Não iam além de vinte e quatro milhões quando, tão pouco tempo faz, Bolsonaro se sagrou presidente. A quem endossaram inequívoco apoio neste sábado ensolarado, dia 1 de maio, manifestantes verde amarelos brandindo e vestindo bandeiras do Brasil numa estrepitosa aglomeração na praça Alan Kardec em Ilhabela, ornamentada com berrantes cartazes amarelo ovo violentados pela escrita em fonte capitular “EU AUTORIZO O PRESIDENTE“.

Nostromo acolheu nas suas entranhas encardidas, inadvertidamente, o terror que lhe era estranho, exógeno. A malignidade que destrói e arruína o país e robustece sem freios o número com tantos zeros de mortos pelo coronavírus não foi colhida nalgum planetoide distante como o fizeram os tripulantes da Nostromo. Já estava aqui, entre nós.

fotos: Márcio Pannunzio

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Márcio Pannunzio, que reside em Ilhabela desde 1989, é artista plástico, fotógrafo, ilustrador, cartunista e jornalista. Seu trabalho de artista gráfico correu mundo e conquistou doze prêmios internacionais, entre eles, na XYLON 12 – International Triennial Exhibition of Artistic Relief Printing ( Suíça ), na Biennale Internationale d’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières, Première Édition ( Canadá ), no 3º Concurso Internacional de Minigrabado “Ciudad de Ourense” ( Espanha ), na BIMPE V – The Fifth International Biennial Miniature Print Exhibition ( Canadá ), na 1st International Small Engraving Salon Inter – Grabado 2005 ( Uruguai ). No Brasil foi premiado em trinta e nove ocasiões entre elas: no 10º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no 50º Salão Paranaense, na 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, no 3º Salão Victor Meirelles, no 2º Salão SESC de Gravura, no 26º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional – Contemporâneo, no 7º e no 3º Salão UNAMA de Pequenos Formatos, na VIII e na VII Bienal do Recôncavo, na II Bienal da Gravura, na 4ª e na 2ª Bienal de Gravura de Santo André, na 5ª e na 3ª Bienal Nacional de Gravura Olho Latino. Foi bolsista da Fundação Vitae em 2002 e figurou entre os vencedores dos editais ProAc de Artes Visuais de 2008, 2010 e 2011. Realizou trinta e uma individuais, cinco delas no exterior. Pratica a fotografia de rua e investe também no fotojornalismo. É colaborador exclusivo da Istockphoto da Getty Images e parceiro da agência de fotojornalismo Foto Arena. Como jornalista colaborou como articulista na primeira versão do Jornal da Ilha, na Folha da Cidade, na revista por dentro do Baepi. Assina a coluna de opinião foto em foco no Nova Imprensa desde 2016.

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