70 pássaros são devolvidos à natureza em Caraguatatuba

O tráfico de animais silvestres movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano no Brasil

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Pássaro solto em área de proteção em Caraguatatuba
Pássaro solto em área de proteção em Caraguatatuba (Foto: Eduardo Leduc)

Aproximadamente 70 pássaros, entre as espécies tiês, sabiás, trinca-ferros, saías, curiós, azulões e outros, foram devolvidos à natureza em Caraguatatuba, nesta quinta-feira (8).

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As aves haviam sido resgatadas no Litoral Norte e enviadas ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres no parque Tietê (CRAS-PET), na capital paulista. Após a readaptação, elas estão aptas para voltar ao seu habitat natural.

Elas foram levadas para a Área de Soltura e Monitoramento de Fauna, no Sítio Jacu, que é também um Centro Ecológico de Proteção Ambiental (CEEPAM), cadastrada pela Secretaria do Meio Ambiente, no bairro Tabatinga, região norte de Caraguatatuba.

A bióloga Yanna Dias, mestra em conservação da fauna, disse que “o tráfico de animais silvestres é a terceira maior atividade ilícita do mundo e só o Brasil movimenta mais de R$ 1 bilhão, todos os anos”. As aves são o principal alvo, segundo ela.

Yanna explica que a cada 10 aves retiradas da natureza, somente uma sobrevive. “Isso significa que quando soltamos essas 70 aves, é provável que 630 morreram durante o tráfico e comércio ilegal”, lamenta.

Os passarinhos canoros são os que mais sofrem com o tráfico. Quando não é pela exuberante beleza, ou maravilhoso canto, eles são aprisionados para brigar em competições, como o canarinho-da-terra e o trinca-ferro, chamado de pixarro. Em segundo lugar, vem o grupo dos psitacídeos (periquitos, papagaios e araras), que são alvo pela sua beleza e inteligência.

Toda espécie tem um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas e devido ao tráfico, muitas espécies correm risco de extinção. Por isso, é muito importante a reabilitação de aves que estão presas em gaiolas e a sua soltura.

Quando apreendidas, essas aves são levadas aos Centros de Triagens (CETAS) ou Centros de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) e de lá são destinados. Quando estão aptos a voltarem para natureza, são encaminhados para áreas de soltura.

“É emocionante assistir a libertação das aves, e ao mesmo tempo é inacreditável que ainda hoje, o ser humano seja capaz de aprisionar um passarinho a vida inteira numa gaiola”.

Ela explica que proprietários podem voluntariamente entregar pássaros à Polícia Ambiental ou centro de reabilitação de sua região para que possam ser reabilitados e posteriormente soltos.

Liberdade assistida aos pássaros

A área foi preparada e habilitada para a realização da soltura de pássaros, a região de mata nativa é protegida há mais de 30 anos. Além dos comedouros, diversas árvores frutíferas foram plantadas para garantir a alimentação e adaptação das aves.

“São aves de beleza rara e cantos magníficos que atraem observadores de aves do mundo inteiro para visitar o litoral norte”.

Sobre o Sítio do Jacu – CEEPAM

O Sítio do Jacu foi estabelecido por Bernard e Conceição Leduc em 1990, em meio a mata atlântica na praia Tabatinga, na região norte de Caraguatatuba.

Apaixonados pela natureza, o casal estabeleceu uma RPPN (reserva particular do patrimônio natural) e um Centro Educacional e Ecológico de Proteção Ambiental (CEEPAM) para preservar a biodiversidade, evitar o desmatamento e a caça, além de realizar atividades educacionais junto à comunidade.

Atualmente, os filhos e netos do casal dão continuidade ao legado criado por Bernard e Conceição Leduc, sendo a primeira área de Caraguatatuba habilitada para esta finalidade.

“Milhares de animais chegam ao Cetas e Cras todos os meses e precisam de destinação, para serem integrados à natureza novamente”, diz Eduardo Leduc, coordenador do local.

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