ECONOMIA – O analfabetismo financeiro em Caraguá

Analfabetismo é um termo que descreve aquele que não conhece o alfabeto. Originalmente, em grego, que não conhece nem o alfa nem o beta. Como o passar do tempo surgiu uma gama de analfabetos: o funcional, o tecnológico, o de conteúdo, o político e agora o financeiro.

O analfabeto financeiro é aquela pessoa que mesmo sabendo que existe uma série de práticas de boa gestão de finanças pessoais não as aplica. São pessoas que não fazem o orçamento doméstico, que gastam mais do que ganham, que não poupam e por conseguinte não têm reserva para contingências, não fazem planejamento para gastos futuros, entre outras atitudes.

O efeito do analfabetismo financeiro se revela por meio da tomada de decisão errada, no endividamento desnecessário, na falta de reservas para a realização de sonhos ou para atender emergências. Além disso, tem reflexo na qualidade de vida no trabalho, na saúde do indivíduo e nas relações familiares.

Estudos sobre o tema, realizados em vários locais e com vários públicos, têm revelado que quanto maior o nível de escolaridade, melhor o nível de alfabetização financeira; homens são melhores alfabetizados financeiramente; jovens e idosos têm menor nível de alfabetização; pessoas com rendas menores têm também nível menor de alfabetização financeira. Deve-se destacar que estes achados não são conclusivos, apenas mostram uma tendência dentro do contexto pesquisado.

Mas afinal, qual o nível de alfabetização financeira em Caraguatatuba? Para responder esta questão os autores realizaram uma pesquisa, entre 2018 e 2019, junto aos moradores da cidade, com idade mínima de 18 anos; sem limitação de gênero, etnia, estado cívil ou escolaridade e com renda a partir de 1 salário mínimo.

A avaliação do nível de alfabetização financeira é resultado da combinação de três elementos: atitude financeira, comportamento financeiro e conhecimento financeiro.

A atitude refere-se a visão de longo prazo. Na pesquisa percebeu-se um nível insatisfatório neste quesito, pois apesar de 91% dos participantes perceberem a importância de fixar metas para o futuro, 66% não acompanham o orçamento; 57% têm dificuldade de planejar os gastos; 64% tendem para o consumismo; 82% têm baixa propensão a poupar; 5,2% têm por meta formar patrimônio.

O comportamento financeiro descreve o modo como as pessoas fazem a gestão de suas finanças. Na pesquisa encontrou-se pessoas que empregam boas práticas de gestão de finanças pessoais: controlam os gastos, mantem um orçamento familiar, poupam, fixam e atingem objetivos de longo prazo. No entanto, estas respostas mostraram-se incoerentes em relação a atitude.

O conhecimento financeiro foi avaliado por meio de 13 problemas, dos quais 57% dos respondentes acertam mais que 8 e apenas 21% acertaram mais que 11 questões. O nível de acertos foi baixo, considerando que os participantes na sua maioria tem nível médio ou superior.

A composição dos três quesitos é que 67% encontram-se em nível alarmante de alfabetização financeira em Caraguatatuba. Mesmo tendo informação não conseguem aplicá-la em seu benefício. Analisando por extrato pessoas casadas e mulheres têm um nível melhor, enquanto entre as pessoas de baixa renda e jovens o nível de alfabetização é mais prejudicado.

Como mudar esta situação? Basicamente duas coisas: buscar informação em cursos, livros, artigos etc; depois colocar em prática com persistência. Atentem para a ênfase na persistência, pois as boas práticas de gestão financeira e seus benefícios dependem disso.

 

*Com Roger Carlos dos Santos
Pós-Graduando em Gestão Financeira pelo IFSP

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Sobre Ricardo Maroni Neto

Economista, mestre em Controladoria Estratégica, atuou em diversas empresas na área financeira, consultor em estratégia, controladoria e avaliação de negócios. Atualmente professor universitário, com mais de 150 artigos científicos e de opinião publicados, 150 orientações e 3 livros publicados

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