Dengue avança e chega a quase 2 mil casos no Litoral Norte

Especialistas apontam circulação do vírus tipo 2 e aumento de criadouros como causa do aumento da doença

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Doença é transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti (Foto: Divulgação)

O Litoral Norte enfrenta um alto número de casos de dengue em 2019. Apesar da queda nas temperaturas nos últimos meses, o que deveria desfavorecer a reprodução do mosquito transmissor, os registros continuam se multiplicando na região e atingem quase 2 mil pessoas nas quatro cidades. Foram registradas três mortes até o momento.

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Segundo agentes da Saúde, o aumento expressivo de casos este ano é decorrência do aumento da circulação do virus tipo 2 da dengue. Em outros anos, a maior parte dos casos eram dos tipos 1, 3 e 4. Com a mudança do vírus, há menos pessoas com anticorpos contra o tipo 2, o que causa maior incidência da doença na região. O cresimento de casos também é resultado do elevado número de criadouros do mosquito Aedes aegypti na região. Um município entra em vínculo epidemiológico quando registra mais de 250 casos.

O último levantamento da secretaria de Saúde de Caraguatatuba aponta que a cidade tem 1.147 casos positivos da doença e outros 53 estão em investigação. Houve um óbito em fevereiro. O poder público de Caraguá intensificou as ações de combate ao mosquito, com nebulização nos bairros e ampliou o atendimento nos Postos de Saúde para às 19h, além de implantar postos móveis em bairros mais afetados. Isso devido o aumento dos casos em relação a 2018. No mês de maio do ano passado foram 17.462 atendimentos realizados na UPA Centro. Neste ano, em 13 dias de maio foram 9.335 atendimentos, a maioria voltada para casos de dengue.

Em Ubatuba, até o dia 9 de maio, foram registrados um total de 267 casos confirmados da dengue, dos quais 259 são autóctones, isto é, contraídos na própria cidade e oito importados. Os dados estão no Boletim de Arboviroses – que incluem dengue, zika, chikungunya e febre amarela – divulgado na quinta-feira, 9 de maio. O boletim informa ainda que há um total de 1.051 casos suspeitos aguardando resultado de exame e 17 casos descartados laboratorialmente, isto é, em que os exames deram negativo para dengue. Outros 291 foram descartados clinicamente, ou seja: a evolução dos sintomas indica não se tratar de dengue, mas de outra virose. Não há registro de óbito por dengue em 2019.

Na cidade de São Sebastião, a prefeitura informou que existem 225 casos confirmados em 2019. O município tem ainda o registro de dois casos de óbito, sendo um de um morador de Caraguatatuba, de 45 anos, que acabou falecendo no Hospital das Clínicas (HCSS) e, outro, que era morador da cidade, de 86 anos, residente do bairro do Arrastão, na região central, que foi internado no dia 28 de março. Para conter o avanço da doença, equipes de combates a endemias acompanham diariamente a movimentação do vírus no município. Além disso, vistorias em imóveis para identificação e remoção de criadouros estão sendo realizadas para aplicação de inseticida em um raio de 150 metros dos locais onde são encontrados casos positivos.

A cidade de Ilhabela tem o registro de 400 notificações e 98 casos confirmados até o momento. Segundo a prefeitura, os bairros mais afetados são a Barra Velha, Itaguassú, Itaquanduba e o Green Park. A administração informou ainda que a Vigilância tem intensificado o combate aos criadouros e ao mosquito transmissor e orienta a população local como se prevenir da doença, principalmente, através da eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti.

Transmissão e prevenção

A transmissão do vírus da dengue acontece pela fêmea do Aedes aegypti que, ao picar uma pessoa infectada, transporta o vírus para uma pessoa sã. A fêmea também coloca ovos que se tornarão larvas dos futuros mosquitos. E seu habitat preferido é dentro das residências em água limpa.

Por isso, as autoridade reforçam a importância de começar o cuidado dentro de casa: todo recipiente que possa acumular água deve ser eliminado ou mantido com a boca para baixo. Isso inclui ralos externos, calhas, caixas d’água, reservatório de água pluvial (chuva), prato de vasos de plantas, porta-escova de dentes e mesmo o reservatório de degelo da geladeira. O quinta também deve ser alvo de atenção, onde deve-se evitar acúmulo de entulho, cobrir a caixa d’água, poços, piscinas, pneus e latas de lixo. Além dos cuidados com a casa, o uso constante de repelentes é uma das principais armas individuais de combate à doença.

Tratamento

Em caso de aparecimento de sintomas da dengue como febre, coceira, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor no corpo e nas juntas (articulações) e manchas vermelhas pelo corpo, a orientação é tomar muita água e procurar a unidade de saúde mais próxima. Não é indicado tomar medicamentos, especialmente à base de salicilatos, como aspirina ou AAS, que podem aumentar o risco de agravamento de hemorragias decorrentes da doença.