Índios de Pernambuco celebram rituais tradicionais em Ilhabela

Cerca de 100 visitantes prestigiaram histórias, cânticos, danças, pinturas corporais e artesanato da tribo Fulni-ô

Fulni-ôs desembarcam em Ilhabela neste domingo (3) (Foto: Nova Imprensa)



Uma caravana da tribo Fulni-ô, original do interior de Pernambuco, visitou a cidade de Ilhabela neste domingo (3) e trouxe um pouco de sua cultura para cerca de 100 visitantes. Os índios apresentaram suas histórias, cânticos, danças, pinturas corporais e artesanato. Eles fizeram questão de contar a história de seu povo com riqueza de detalhes e de pintar todas as crianças, que se encantaram com os rituais da tribo. Duas apresentações de cantos e danças indígenas também encantaram adultos e crianças, no bairro da Água Branca.


O grupo segue na cidade até a próxima quinta-feira (7) com apresentações de seus rituais de arte em diversos bairros do arquipélago. Na segunda-feira (4), os índios expõem seu artesanato na praça da Mangueira, já na quarta (6), eles levam apresentação de dança e artesanato para a Vila, centro histórico da cidade, onde haverá desembarque de navio turístico.


As visitas da tribo pelo Brasil visam manter sua cultura viva e também contribuir para o sustento do povo, já que a demarcação de território diminuiu drásticamente a reserva indígena em que vivem e muitos índios precisam trabalhar fora. 


Seus cânticos remetem principalmente à ‘terra sagrada’, mas documentos indicam que desde de 1700 os indígenas da região enfrentam problemas com a ocupação. Além disso, o povo sofreu com uma forte seca que atrapalhou suas práticas de sustento. Diante das dificuldades, o pajé ordenou que encontrassem novas possibilidades de sobrevivência fora de Pernambuco. 


A nação Fulni-ô também é conhecida por ser a única do Nordeste do Brasil que conseguiu preservar sua língua materna, o Ia-tê, que bem como o portugês é ensinado ainda nas escolas. Inclusive, a vivência inclui relatos contados nas duas línguas. Os índios fazem rodas de conversas e narram ritos usando a línga tribal e, depois, o português.


Em Ilhabela, um grupo de pessoas interessadas na preservação da cultura indígena no Brasil ofereceu abrigo para os índios e promoveu a venda de alimentos, como bolos e frutas, revertendo a verba para a tribo. Houve também a venda de artesanato tradicional dos Fulni-ôs, como cachimbos, maracas, arcos e flechas.


Tatuagem


Pajé participa do processo de tatuagem de seu discípulo (Foto: Nova Imprensa)

O tatuador Patrick Grohmann, do estúdio IckTattoo, é um dos voluntários do projeto. Ele esteve presente no encontro de domingo e fez desenhos na pele de sete visitantes, revertendo o lucro para a nação Fulni-ô. Além disso, ele também tatuou um dos índios. O desenho foi criado pelo pajé Tathxiá, com referências da cultura tradicional, e feito no braço de um jovem da tribo. O chefe acompanhou a tatuagem de perto e, segundo Patrick, energizou seu discípulo durante todo o processo.

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