Moradoras criam Geloteca, a biblioteca na geladeira, na praia do Capricórnio 

A vontade de resgatar o hábito da leitura e fomentar a cultura local trouxe à luz a Geloteca,  na praia do Capricórnio, na região Norte de Caraguatatuba. A partir da iniciativa de duas moradoras, uma antiga geladeira desativada ganhou nova utilidade e se tornou uma pequena biblioteca comunitária que já começou a movimentar a rotina do bairro nesta semana.

A ideia nasceu após a historiadora e especialista em gestão de patrimônio, Cleusa Pinheiro, conhecer um projeto semelhante na cidade de Piracaia. Ao se mudar para o Capricórnio, ela compartilhou a inspiração com a psicóloga Eliana Sader, que também atua na diretoria da Associação de Moradores da Praia do Capricórnio. Com o incentivo de vizinhos, a dupla decidiu colocar a mão na massa.

Na sequência, as duas conseguiram a doação de uma geladeira inutilizada, retiraram o motor, lixaram, pintaram e decoraram toda a estrutura com tecidos adesivos.

geloteca
Eliana (direita) e Cleuza (esquerda)reproduziram a Geloteca em Caraguatatuba.

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Com a estrutura pronta, o projeto precisava de um local estratégico e protegido. A associação do bairro cedeu então o espaço da guarita de vigilância, localizada próxima ao Boulevard Capricórnio. A escolha foi exata por oferecer cobertura contra a chuva e por ser uma rota com grande circulação de pessoas que frequentam o comércio ou caminham em direção ao mar.

O funcionamento do espaço é organizado de forma colaborativa, mas com regras claras. As próprias idealizadoras assumem a higienização e a arrumação do acervo. No local, fica disponível uma relação de todos os títulos e um caderno de controle, onde os leitores precisam anotar a data de retirada, o nome da obra, os contatos pessoais e a previsão de devolução, criando uma rede de confiança na comunidade.

Para quem desejar contribuir com doações, as coordenadoras orientam que o contato seja feito previamente, garantindo que os exemplares sejam catalogados antes de irem para as prateleiras.

Não existe censura para os temas literários, contudo, devido ao espaço limitado do eletrodoméstico, o projeto não aceita livros didáticos, enciclopédias ou coleções muito grandes. A principal exigência é que o material entregue esteja em bom estado de conservação.

Divulgado nas redes sociais há poucos dias, o projeto teve aceitação imediata. Segundo as organizadoras, diversas obras já foram emprestadas e as ofertas de doação não param de chegar. “A intenção é estimular a leitura, um tanto abandonada no momento de foco em redes sociais e iniciar atividades culturais no bairro”, concluiu Eliana.

 

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