Desabastecimento: Litoral Norte sofre com falta de água desde o Natal

Moradores e turistas do Litoral Norte de São Paulo enfrentam, desde ao Natal, interrupções parciais ou totais no abastecimento de água. Em alguns municípios, o problema começou há poucos dias; em outros, segundo relatos da população, a falta d’água persiste desde o ano passado, em plena alta temporada de verão.

Em Caraguatatuba, a situação levou a Câmara Municipal a divulgar uma nota de repúdio à Sabesp. O Legislativo municipal classificou como “recorrente e inaceitável” a falta de abastecimento e afirmou que a instabilidade no fornecimento tem causado prejuízos diretos à população, afetando moradores, visitantes e, de forma mais crítica, os comércios alimentícios.

De acordo com a Câmara, a falha em um serviço considerado essencial compromete a saúde pública, a atividade econômica local e a imagem turística do município, especialmente em um período de aumento previsível da demanda devido ao fluxo de turistas. O texto também critica a ausência de comunicação clara, de cronogramas confiáveis e de soluções efetivas por parte da concessionária, além de cobrar providências imediatas, investimentos em infraestrutura e melhorias na gestão do sistema de abastecimento.

Relatos de moradores ilustram os impactos do desabastecimento no dia a dia. No bairro Capricórnio, uma fonte afirmou que a família passou a consumir marmitas para reduzir o uso de louça e tem recorrido a lavanderias para lavar roupas. Em um grupo de moradores da região, vizinhos oferecem banhos em quintais onde ainda há água, já que, em algumas residências, nenhum banheiro está com chuveiro funcionando.

Em Ilhabela, uma das cidades mais impactadas, o prefeito Antônio Colucci (PL) afirmou, em publicação nas redes sociais no dia 1º de janeiro, que a região norte do município está “sofrendo sem um abastecimento digno” e ameaçou multar a concessionária. “A gente vai dar um basta”, declarou.

Em São Sebastião, a vereadora Henriana Lacerda (Republicanos) também se manifestou publicamente, classificando a situação como “inaceitável”. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela afirmou ter recebido inúmeras reclamações de moradores de diversos bairros sobre a falta d’água.

Problemas semelhantes são relatados em Ubatuba, onde moradores dizem enfrentar dias consecutivos sem abastecimento.

Procurada, a Sabesp informou que atende os municípios sem intermitências generalizadas, mas reconheceu que há “relatos de baixa pressão e interrupções pontuais devido à necessidade de ajustes operacionais constantes em função da alta de consumo e das chuvas, que impactam a qualidade dos mananciais”. A companhia aponta como causa o consumo elevado, impulsionado por um cenário atípico de temperaturas altas e pelo aumento da demanda da temporada de verão. A empresa informou também que todos os municípios afetados contam com o apoio de caminhões pipa.

Nas redes sociais, a crise no abastecimento tem sido associada à privatização da Sabesp, concluída pelo governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em julho de 2024. As críticas se intensificaram nos últimos dias, em meio às dificuldades enfrentadas pela população durante o período de maior movimento turístico no Litoral Norte.

Nesta temporada, a região deve receber quase 8 milhões de visitantes, período considerado entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. Os números equivalem a 21,9 vezes a população fixa nas quatro cidades, estimada em 360 mil habitantes, segundo dados do IBGE.

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